sexta-feira, 16 de junho de 2017

COMO FAZER UMA RESENHA CRÍTICA II (MODELO)


PARTES DE UMA
RESENHA
MODELO DE
RESENHA CRÍTICA

Título da resenha


Da tevê para as telas de cinema

Autor da resenha


Celso Sabadin

Apresentação da obra: informações básicas sobre o filme: título, produção, direção, gênero...


Assim como já havia acontecido com Os normais, agora é a vez de a Globo Filmes produzir A grande família – O filme, baseado no seriado de sucesso, visando principalmente levar para o cinema o público acostumado com a televisão.


Resumo: apenas fatos essenciais, sem apresentar o “final da história”. Os nomes dos atores que interpretam as personagens aparecem entre parênteses.


A comédia mostra como Lineu (Marco Nanini) e Nenê (Marieta Severo) se apaixonaram num baile. Muitos anos depois, já casados, Lineu descobre que deve prestar atenção ao seu estilo de vida por causa de um problema de saúde. No entanto, suas novas atitudes causam confusões gerais. Para piorar, Carlinhos (Paulo Betti), com quem Lineu disputava o amor de Nenê na juventude, está de volta.


A que tipo de público o filme vai agradar ou não. Observe que a opinião do autor transparece no uso de adjetivos, advérbios e outras expressões que expressam juízos de valor.



O humor rápido, rasteiro e bem interpretado por um elenco experiente faz do filme uma opção sem muitos riscos para as plateias que seguem o seriado na telinha. O mesmo não se pode dizer em relação ao público de gosto mais cinematográfico, que não verá na tela grande nada muito diferente do que já foi explorado pela TV.


Aspectos positivos e negativos, justificados com que foi observado no filme.


O grande mérito do filme é o elenco afinado e o timing correto. O grande problema é o roteiro, que carrega a pretensão de contar três vezes a mesma história, sob três pontos de vista diferentes, o que acaba prejudicando o ritmo cômico.


Conclusão do texto. Potencial de sucesso do filme.





Bem produzido e com a divertida breguice romântica de Roberto Carlos na trilha sonora, A grande família – O filme tem bom potencial de sucesso popular.






COMO FAZER UMA RESENHA CRÍTICA I (CONCEITO)



Gênero textual publicado em jornais, revistas e sites, tem como principal objetivo apresentar a opinião do crítico sobre um filme. Algumas resenhas oferecem análise mais aprofundada. Outras apenas uma rápida análise sobre a obra.
Você deve ter notado que, embora a resenha apresente a opinião do crítico, o texto é escrito em terceira pessoa. A linguagem varia entre o formal e o semiformal.
     Para escrever uma resenha, é preciso assistir ao filme com atenção e registrar alguns dados sobre ele. Segue um roteiro para orientar sua observação e fazer registros.
·        
      Ficha técnica: título do filme, gênero, diretor, produtor, ano, país, atores etc.;
·         Trama / enredo;
·         Personagens principais: características;
·         Interpretação dos atores;
·         Cenários;
·         Figurino;
·         Trilha sonora;
·         Fotografia (observar como as cores e a iluminação são usadas no filme);
·         Outros itens que você considerar importantes, dependendo do filme escolhido.
         
          É interessante ler outras resenhas. Antes de escrever sua resenha, faça um plano de texto, no qual você vai decidir que informações serão apresentadas em cada parágrafo. Ao terminar, faça a revisão do texto. Confira se estão presentes as seguintes partes textuais:

·         Apresentação do filme;
·         Resumo;
·         Aspectos positivos e negativos;
·         Conclusão (fechamento).

REFERÊNCIA:

ALMEIDA, Neide Aparecida [et al.] . Linguagens e culturas: Linguagem e códigos: ensino médio. São Paulo: Global, 2013. p. 237 – 238.








segunda-feira, 5 de junho de 2017

CORA CORALINA


MUTAÇÕES

Muita rua da cidade
mudou de nome.
Ritintin - mudou de nome.
Chafariz - mudou de nome.
Rua Nova - mudou de nome.
Detraz da Abadia também.
Beco virou travessa.
Outras, nem nome têm.
Rua do Fogo se apagou,
nas vielas não se toca.
Beco da Morte é pecado.
Do Cotovelo é suspeito.
Rua Joaquim Rodrigues
virou 13 de maio,
passou pra Joaquim de Bastos.
Não sei onde vai parar
tanta mudança de nome.
Mudar nome de rua é fácil.
Mudar jeito de rua, não.
Dar calçamento e limpeza
é coisa muito impossível.
Só não mudou nome em Goiás
o Beco da Vila Rica.
Por ser muito pobre e sujo
contrário lhe assenta o nome.
Se há de ser beco do sujo pobre
seja mesmo da Vila Rica
com toda sua pobreza.

PEDRAS

Os morros cantam para meus sentidos
a música dos vegetais
que se movem ao vento.
As pedras imóveis me enviam
uma bênção ancestral.
Debaixo de minha janela
se estende a pedra-mãe.
Que mãos calejadas
e imensas mãos sofridas de escravos
a teriam posto ali,
para sempre?
Pedras sagradas da minha cidade,
nossa íntima comunicação.
Lavada pelas chuvas,
queimada pelo sol,
bela laje velhíssima e morena.
Eu a desejaria sobre meu túmulo
e no silêncio da morte,
você, uma pedra viva, e eu,
teríamos uma fala
do começo das eras.


MINHA CIDADE

Goiás, minha cidade...
Eu sou aquela amorosa
de tuas ruas estreitas,
curtas,
indecisas,
entrando,
saindo
uma das outras.
Eu sou aquela menina feia da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.
Eu sou aquela mulher
que ficou velha,
esquecida,
nos teus larguinhos e nos teus becos tristes,
contando estórias,
fazendo adivinhação.
Cantando teu passado.
Cantando teu futuro.
Eu vivo nas tuas igrejas
e sobrados
e telhados
e paredes.
Eu sou aquele teu velho muro
verde de avencas
onde se debruça
um antigo jasmineiro,
cheiroso
na ruinha pobre e suja.
Eu sou estas casas
encostadas
cochichando umas com as outras,
Eu sou a ramada
dessas árvores,
sem nome e sem valia,
sem flores e sem frutos,
de que gostam
a gente cansada e os pássaros vadios.
Eu sou o caule
dessas trepadeiras sem classe,
nascidas na frincha das pedras
Bravias.
Renitentes.
Indomáveis.
Cortadas.
Maltratadas.
Pisadas.
E renascendo.
Eu sou a dureza desses morros,
revestidos,
enflorados,
lascados a machado,
lanhados, lacerados.
Queimados pelo fogo.
Pastados.
Calcinados
e renascidos.
Minha vida,
meus sentidos,
minha estética,
todas as vibrações
de minha sensibilidade de mulher,
têm, aqui, suas raízes.
Eu sou a menina feia
da ponte da Lapa.

Eu sou Aninha.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

RESENHA: "O MÁGICO DE OZ", DE VICTOR FLEMING


Em 1939, Victor Fleming adaptou para o cinema a obra de L. Frank Baum The wizard of Oz (1900) – no Brasil, O mágico de OZ. A protagonista, Dorothy, é levada por um tornado para uma terra mágica e, na tentativa de voltar para seu lar, ela é informada de que precisa encontrar-se com o grande mágico de Oz na Cidade das Esmeraldas, pois somente assim ela poderia realizar seu desejo.   
Em sua jornada, Dorothy encontra-se com personagens que, assim como ela, também têm um desejo a realizar: o espantalho busca um cérebro, o homem de lata busca um coração e o leão covarde busca coragem. Nesta caminhada, somos apresentados à marcante trilha sonora do filme e a acontecimentos que nos instigam a refletir sobre temas diversos e que podem nos comover profundamente. 
Indicado a seis Óscar, esse filme venceu nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original. A canção Over the rainbow é considerada uma das mais belas do cinema, e tem sido amplamente revisitada em gravações as mais diversas. Os muitos problemas de produção não afetaram a qualidade desse filme considerado um dos maiores filmes de todos os tempos. De acordo com a Greatest Movie Musicals, do American Film Institute, que em 2006 apresentou uma lista dos 25 maiores filmes musicais, O mágico de Oz ocupa o terceiro lugar da lista.  
 Esse filme é grandioso esteticamente e, sobretudo, pelas reflexões que suscita. Dentre as frases de efeito marcantes, que localizamos em seus diálogos mais que criativos, destacamos a que é dita pelo mágico de Oz ao homem de lata, por ocasião da entrega do coração que este tanto queria: “Um coração não se julga por quanto você ama, mas por quanto você é amado pelos outros”.

CARDOSO, Cícero Émerson do Nascimento. Resenha: “O Mágico de Oz”, de Victor Fleming. Sétima Revista de Cinema, n. 39, p. 10, jan. 2017.  



RESENHA: "O PEQUENO PRÍNCIPE", DE STANLEY DONEN


Algumas pessoas têm resistência a filmes musicais – eu não. Eu gosto muito deles. Agora, imaginemos um musical adaptado de uma das mais populares obras literárias do mundo – não tenho como não gostar!
O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, foi adaptado por Stanley Donen em 1974. Com canções entre divertidas e líricas, como It’s a hat, Be happy e A snake in the grass, encontramos nele excelentes canções. Considero que as atuações merecem elogios, assim como alguns cenários e efeitos especiais. A adaptação também tem seus valores.
O Príncipe que veio do asteroide B-612, e encontrou-se no deserto do Saara com um piloto que sofrera um acidente aéreo, foi uma personagem que me marcou profundamente na infância. Eu me perdia em pensamentos, quando criança, na tentativa de entender o porquê de o Príncipe viver no asteroide sozinho, sem pai nem mãe, e andar naquela pequena morada sem, contudo, cair no espaço para sempre – eu não contava com a astúcia da gravidade, claro. Era tudo tão mágico para mim!
Eu assisti a essa versão de um dos livros que mais li na vida quando já era adulto, no entanto foi como se eu voltasse a viver os sentimentos que eu resguardava em mim quando eu era criança. Foi uma experiência triste, porém gratificante.
O Pequeno Príncipe, de Donen, é um clássico. Vale a pena assisti-lo e reassisti-lo, certamente. Claro que é necessário recorrer à sensibilidade que, por vezes, perdemos quando a vida adulta já nos impõe que o que era mágico agora é absurdo, ilógico e impossível. Nesta perspectiva, cabe retomar a já mil vezes citada frase do livro: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.

CARDOSO, Cícero Émerson do Nascimento. Resenha: “O Pequeno Príncipe”, de Stanley Donen. Sétima Revista de Cinema, n. 39, p. 09, jan. 2017.  


RESENHA: "O FIM E O PRINCÍPIO", DE EDUARDO COUTINHO




O fim e o princípio foi o primeiro filme de Eduardo Coutinho que eu assisti. Ele é de 2005 e apresenta depoimentos colhidos numa comunidade do interior da Paraíba. A comunidade retratada é o Sítio Araçás, localizado em São João do Rio do Peixe.
           A maior parte dos depoimentos é de pessoas idosas – personagens de um universo austero, mas rico de experiências existenciais e sabedorias adquiridas pela intensa relação com o sertão e suas riquezas simples.
Recolhidas em seus anonimatos, essas personagens do mundo real, tão encontráveis no sertão nordestino, discorrem sobre suas histórias familiares, crenças, experiências de trabalho, alegrias e sofrimentos diários. Sem um roteiro prévio, Coutinho propõe uma abordagem inovadora e criativa ao construir sua obra a partir das tessituras narrativas apresentadas pelos moradores de Araçás. Em verdade, o cineasta visita os moradores da localidade, elabora perguntas aleatórias e registra os depoimentos de modo que nos sentimos bem próximos deles.  
Nesse documentário, somos apresentados, a cada visita, à beleza da prosa sertaneja repleta de histórias envolventes. É instigante observar o registro das idiossincrasias linguísticas e das práticas culturais que marcam a vida dessas personalidades. Rezadeiras, parteiras, agricultores, poetas, pensadores, donas de casas tecem, com suas narrativas, uma colcha de retalhos alinhavada com as cores da vida em suas amplas potencialidades. 
Para mim, é impossível assistir a esse filme sem me comover profundamente. Em alguns momentos, a câmera apresenta em close o olhar dos entrevistados e isto, definitivamente, dá-nos a sensação de que podemos mergulhar no universo dessas personalidades e, assim, apreendermos delas as mais densas sensações.


CARDOSO, Cícero Émerson do Nascimento. Resenha: “O Fim e o Princípio”, de Eduardo Coutinho. Sétima Revista de Cinema, n. 39, p. 04, jan. 2017.