quarta-feira, 13 de junho de 2018

PAISAGEM PÓS-CREPÚSCULO (MENÇÃO HONROSA NO XX PRÊMIO IDEAL CLUBE DE LITERATURA)



Noite, o que tens para mim?
Umedecidas gavetas
Com traças que não respeitam
Meu olhar nelas oculto?

O que tens para mim, noite,
Piscina de prego e farpa
Com vinagre ornamentada,
Ou mar de cacos de vidro?

Para mim, noite, o que tens:
Coração fanado à unha,
Espectros de vis batalhas?

Tens lodo sepulcral, noite,
Silêncio de faca e sombra,
Tesoura de mil mortalhas?

CARDOSO, Cícero Émerson do Nascimento. Paisagem Pós-Crepúsculo. In: XX Prêmio Ideal Clube de Literatura: Prêmio José Telles. Organização e introdução de Carlos Augusto Viana. Fortaleza: Tiprogresso, 2018. p. 29. 



sábado, 9 de junho de 2018

ENTREVISTA: JOÃO PEDRO DO JUAZEIRO



ENTREVISTA

Neste mês, o artista João Pedro do Juazeiro comemora mais um aniversário. Ele me concedeu, gentilmente, uma entrevista que será publicada em seu livro de memórias, mas que eu compartilho, agora, sentindo-me honrado por ter tido contato com este grande artista popular considerado, por muitos, um dos maiores artistas da xilogravura que o Brasil teve o privilégio de conhecer. Elaborei 11 perguntas aludindo, com a quantidade de perguntas, ao dia 11/06, data de seu aniversário. Este artista nascido no mês das festas juninas, que estão presentes recorrentemente em seus escritos, traz no nome composto dois nomes dos santos que comemoramos: São João e São Pedro. João Pedro, que é do Juazeiro um grande representante, merece que o parabenizemos por seu trabalho e sua sensibilidade artística. Muito ainda temos a aprender com ele, portanto que sua vida seja longa e próspera, pois é de pessoas com sua grandeza de alma que o mundo precisa! Vamos conferir, na sequência, o que ele diz sobre seu trabalho, família e sobre a vida.

1 – Você é conhecido artisticamente como João Pedro do Juazeiro. Mas quem é, de fato, João Pedro do Juazeiro? O que você poderia dizer sobre si mesmo?

JP – João Pedro do Juazeiro ainda é indescritível, é um ser pensante com uma vasta pluralidade em arte e cultura sem “ilimitações”. Digamos que ainda não me encontrei, não fiz o bastante, tenho um universo a ser explorado, preciso ultrapassar meus próprios limites, os quais desconheço. E são essas “ilimitações” surpreendentes que podem me ajudar a compor uma descrição de mim. É como sempre digo: faço o que gosto sem saber o que faço, porque, quando a inspiração chega, tudo é possível.

2 – O historiador Renato Casimiro, no catálogo[1] de apresentação da exposição e oficina realizadas por você em 2006, pelo CCBNB, disse que: “Na história de João Pedro, primeiro veio o cordelista gravitando em torno da Lira Nordestina, já nos anos 90, familiarizando-se com os poetas e os xilógrafos de sua geração. A xilogravura, na verdade, veio depois, pois ele mesmo queria produzir as ilustrações de capas de seus versos, como dizia, para não pedir a ninguém”. A xilogravura é sua arte por excelência? O que a Lira Nordestina tem a ver com a entrada da xilogravura em sua vida?

JP – Sim, a xilogravura é minha arte por excelência, é tudo em minha vida – vida que foi e é dedicada a ela! Não sei fazer nada que não seja xilogravura, que não seja dela ou com a reprodução dela.
A Lira Nordestina passei a frequentar no início da década de 1980, acho que em 1982, quando publiquei meu primeiro cordel: “O Desejo De Um Matuto”. Ela estava instalada numa escola que ficava no ferro de engomar, assim chamávamos o encontro das duas ruas São Luiz com Santa Luzia. Depois, ela foi para um colégio na Av. Castelo Branco, em frente à Praça do Mateus, no bairro Romeirão, onde editei o meu segundo cordel: “Lamentos d´um Menor Abandonado”.
Quando ela foi para a estação ferroviária, no bairro Franciscanos, editei vários cordéis lá e minha relação com os tipógrafos da Lira já era familiar. Na estação, se instalaram: a Lira Nordestina, o Conselho Tutelar e a AMAR (Associação dos Artistas e Amigos da Arte).
Houve algo muito importante para mim no ano de 1998. Foi uma tarde desconfortável e humilhante. O que aconteceu tem a ver com uma grande amiga a quem agradeço pelo incentivo, porque, quando eu vendia meu trabalho como cordelista, nas escolas de Juazeiro do Norte, pelo preço de Cr$ 1,00 (um cruzeiro), esta amiga disse-me, francamente, que eu vivia esmolando nos colégios e que arte era o que ela fazia. Para ela, a arte mesmo era a xilogravura que ela vendia por valores altíssimos e com direito a exposições em galerias, jornais escritos, televisivos e radiofônicos. Lembro que eram suas primeiras matrizes, ela estava iniciando na arte de gravar. Quanto mais ela confabulava, mais eu sucumbia chão adentro. Ela disse coisas humilhantes e degradantes para mim. Ouvir um ser humano falar tantas palavras diminutivas sobre si e seu trabalho não foi fácil. Ao findar todo “incentivo” humilhante, de súbito, nos cinco passos que dei da AMAR para a Lira, decidi fazer xilogravura. Foi uma decisão de última hora.
Chegando na Lira, falei para o pessoal que lá trabalhava. Quero madeira, afirmando: “Eu vou fazer xilogravura”. Eles riram de mim, pois imaginaram ser brincadeira. Respondi-lhes: “Não, eu falo sério! Vou fazer xilogravura”. Eles disseram: “Você não sabe”. E eu respondi: “Se vocês fazem, também farei!” Até hoje fico pensando em minha atitude decidida e minhas afirmações... Não eram afirmações do João Pedro consciente, mas de um João decididamente capacitado a fazer algo que o consciente não sabia o que era.
Eles me forneceram três pequeninos tacos de madeira, passei a noite riscando, sem dormir e, na manhã seguinte, às 06h, eu estava na estação aguardando Airton (o Gordinho) abrir a gráfica para imprimir minhas primeiras gravuras. Desse dia em diante, não parei e nunca mais dormi uma noite por completo gravando noite adentro.
A Lira Nordestina foi acolhedora, incentivadora, patrocinadora e a estrada que me levou ao mundo!

3 – No início de seu trabalho, você produziu um álbum em que xilograva personalidades como: Frei Damião, Antônio Conselheiro, Padre Cícero, Rachel de Queiroz, dentre outros. Este álbum é uma obra-prima! Uma das gravuras, inclusive, foi premiada. Este álbum é o seu preferido? E o que este prêmio representou para seu trabalho?

JP – No final de 1998, tinha que viajar para vendas de artefatos de alumínio que era meu trabalho na época. Eu viajava pelo interior nordestino e, antes de viajar, fui até a Lira para arranjar madeira. Eles negaram alegando não ter mais, pois estavam certos de que eu estava acabando com toda umburana por estar todos os dias gravando. Por este motivo, eles me apelidaram de “Pica-Pau”. Catei uns pedaços de umburana que estavam no chão da gráfica e encontrei, no pé da calçada, um pedaço de madeira medindo 30x10 cm, que tinha muitas falhas. Peguei assim mesmo. Fui para casa e, no outro dia, viajei a trabalho, levando na mala os pedaços de madeira. Paramos na cidade de Brejão – PE, onde ficamos arranchados numa casa. Todos os dias saíamos para trabalhar nos sítios e cidades vizinhas. Um certo dia, amanheceu chovendo muito, o nevoeiro fechava as estradas. Não havia possibilidade de trabalhar nesse dia, resolvemos ficar no local de rancharia. Foi quando peguei os tacos de madeira e fui lixar. Pensei em dividir o taco maior em três partes e desisti. Já estando pronta para desenhar, eu resolvi fazer um Frei Damião.
Quando cheguei em Juazeiro e mostrei a xilogravura aos amigos todos ficaram abismados sobre como poderia um iniciante fazer uma gravura tão magnífica. Ali, todos unidos, surgiram opiniões: “Por que não faz um álbum? Os heróis do Nordeste, os santos nordestinos e etc.” Zé Lourenço disse: “Vamos esperar Gilmar chegar. Quando o Professor Gilmar chegou, que lhe mostrei, ele ficou maravilhado e disse logo: “Vamos fazer o álbum Mitos do Nordeste”! Ele me passou uma relação de temas e dei início à concepção da coleção – era final de ano. No mês de março de 1999, a gravura do Beato Zé Lourenço foi destaque no Jornal Diário do Nordeste. Depois, enviei o Frei Damião e Padim Ciço para o Prêmio do IBEU-CE, em Fortaleza, ocasião em que ganhei o primeiro lugar com a xilogravura de Frei Damião e destaque para a do Padim Ciço. O evento ocorreu no Salão Norman Rockwel do Desenho e da Gravura, em maio de 1999.
O prêmio me alegrou pelo título e pela parte em dinheiro, que supriria a família. Quando fui receber, fui também para minha primeira exposição individual no IPHAN-CE (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico), em Fortaleza. Também realizei um workshop no centro de Comunicação Social da UFC (Universidade Federal do Ceará). Foi tudo tão de repente que não me dei conta, comportava-me meio alheio a tudo, como se fosse normal. Acho que isso aconteceu por minha simplicidade, por não me vangloriar, nem me autovalorizar com o que acontece na vida. Tudo é dado por Deus e devemos agradecer e nos comportarmos sem nos diferenciarmos dos outros.
Quanto ao prêmio, isto despertou ciumeiras e até reivindicações dos colegas inconformados com o prêmio de primeiro lugar ter sido dado a um iniciante, enquanto havia gravadores com mais de vinte anos no exercício. Houve um gravador, inclusive, que telefonou de Juazeiro para Fortaleza reclamando ao diretor do IBEU-CE, dizendo que eu não era capacitado e merecedor do prêmio. O diretor afirmou: “Quem é você para subjugar a qualidade do trabalho do artista premiado, da curadoria formada por especialistas doutorados, renomados e famosos, e curadores conhecidos no Brasil inteiro?”
Mediante esses fatos e as perseguições, opressões e preconceitos que sofri, me dei conta do peso desse prêmio, que abriu as portas do mundo para mim. O conselho de uma grande amiga, chamada Zizi, fortaleceu-me muito. Lembro bem quando ela disse: “João, este ano de 1999 é seu! Você é o premiado, você é grande e você é forte! Pra estar enfrentando todos sozinho, e superando-os, é porque você é forte e é um vencedor em todos os sentidos!”
O álbum, sim, é um dos meus preferidos. Primeiro, pela sua criação dentro de um padrão que, na época, não se trabalhava em Juazeiro do Norte. O trabalho tinha um designer inovador que eu nem mesmo sei como trabalhei. Usei técnicas aplicadas as quais foram experimentos que deram certo e foram inovadores. Ele foi o carro chefe do meu início como gravador, principalmente por representar grandes homens, santos, heróis, escritores do Nordeste, da nossa História e nossos grandes.

4 – No texto citado acima, Renato Casimiro diz, ainda, a seu respeito, que: “Pode-se notar que este seu fazer artístico tem alguns elementos muito inovadores. O primeiro que merece menção é a sua versatilidade em expressar a sua criatividade em diversos materiais, passando da madeira como a imburana, a preferida dos xilógrafos, do papel artesanal, e a cerâmica”.

JP – Sim, a inovação é necessária. Com a preservação da tradição, a xilogravura é uma arte milenar, não somente no seu surgimento no antigo Egito, mas por estar há milênios adiante do imaginário criativo, revolucionário inventivo da raça humana, todas as inovações e descobertas necessitam da xilogravura, se adaptam a ela. A exemplo, temos as novas tecnologias virtuais e digitais que são possíveis de criar qualquer tipo de gravura. Mas, para se ter uma xilogravura com originalidade, só mesmo o impresso da madeira scaneado para o uso de sua imagem. Assim, em primeiro lugar, podemos ver as frestas da madeira no impresso; em segundo lugar, se ampliarmos a imagem de uma xilo, encontramos onde passou a ferramenta cortante defeitos da fibrosidade da madeira quebrada. Tais defeitos são efeitos naturais da madeira interagindo com cortes e arranhaduras.
As inovações em meu trabalho são diárias, porque estou sempre em análise constante com relação à prática da xilogravura, que está ligada à escolha da madeira, do desenho, dos cortes, dos riscos, das escavações, impressões e aplicações. O uso diversificado de materiais como: papel, couro, tecido, porcelana, cerâmica, azulejo, teflon e o que surgir – estou sempre experimentando. Eu experimento cores, técnicas das mais diversificadas e outros elementos sobre os quais não posso falar agora, só após a publicação de um livro contendo esses mistérios da xilogravura.
Assim, há uma diversidade de matéria-prima – o vegetal – e, neste caso, tenho que trabalhar todos os tipos de madeira, por ser instrutor não só no Nordeste, mas até em outros países. Tenho que repassar técnicas de concepção da matriz de acordo com o tipo de vegetal usado, por existirem madeiras maleáveis e outras mais resistentes, umas fibrosas e outras menos fibrosas. Essas diferenças implicam na concepção da matriz, no entintamento e na pressão a ser usada no momento do impresso. Isso também é necessário para o momento de repassar aos alunos quais tipos de madeira são possíveis de se trabalhar no seu ambiente, ou região, mostrando que é possível trabalhar com o que for mais acessível.

 5 – Em matéria produzida para a Cariri Revista[2], Gilmar de Carvalho, um dos maiores pesquisadores e incentivadores da cultura popular, afirma: “João Pedro se fez com muita determinação, trabalho e com a superação das deficiências do próprio desenho, o ajuste do corte e o acabamento refinado das xilogravuras”. Neste sentido, Gilmar de Carvalho aponta para os caminhos que você seguiu na evolução de sua produção artística. Você poderia tecer um comentário sobre isto?

JP – Talvez o Professor Gilmar defina bem melhor que eu, ele conhece a mim e meu trabalho mais que eu próprio. É como falei no início: tudo é muito indefinido. A cada dia descubro possibilidades inimagináveis. Estou sempre fazendo releituras de meu próprio trabalho, buscando superar a minha própria capacidade. O muito que faço é pouco para o que posso. Estou sempre me reciclando, isso porque a insatisfação, o vazio, a “ilimitação” do infinito imaginário criativo vive comigo.

5 – A propósito, Gilmar de Carvalho afirma, na mesma matéria, o seguinte: “João Pedro é do mundo. Um artista da grandeza dele ultrapassa tempos e espaços, supera limites, vai além das convenções demarcatórias de municípios, estados, países ou continentes. O mundo é pequeno para a ambição e o desvario de João Pedro”. De fato, você transita pelo cordel, xilogravura, outras modalidades poemáticas e, agora, tem escrito memórias. O que cada uma dessas linguagens representa para você?

a)      Cordel
JP – O Cordel foi onde iniciei. Quando tinha meus dezoito anos, a literatura de cordel foi meu gibi, vivi toda minha vida com ele. Desde criança, por onde passasse na ruas de Juazeiro sempre encontrava os folheteiros vendedores com os cordéis numa mala, ou espalhados numa lona, no chão, enquanto eles liam em alta voz para chamar atenção dos transeuntes. Vizinho à minha casa, morava seu José dos Santos, um senhor de idade que, pelas manhãs, estava na rua vendendo cordéis, romances, novenas, orações e etc., e à tarde, após o almoço, ele sentava numa sombra em frente à sua casa lendo cordéis para a criançada. Era um paraíso lendário de contos e encantos cheios de reis, rainhas, princesas, bandidos, heróis, cangaceiros, como: Lampião, Antônio Silvino, Jararaca, Corisco, Sabonete e outros mais. Também apareciam santos nordestinos, como Padim Ciço e Frei Damião – este que, na época, já caminhava pelo Nordeste com seus sermões. O cordel me faz usar meu imaginário criativo cheio de encantos e me aproxima do estilo dos poetas antigos que têm como marca a vivência do que é popular, como os contos, as tradições, os valores regionais e etc.

b)     Xilogravura
JP – A xilogravura é minha vida, meu prazer, minha realização de sonhos, minha maior conquista, minha filha! As xilogravuras são vidas adormecidas na madeira que eu desperto, trazendo o tempo e o espaço com suas linguagens e forças próprias. Sem a xilogravura não saberei mais viver. Com ela, tudo é possível, porque ela é a vida.

c)      Poemas
JP – Poemas são partes de mim, minha essência, fui e sou muito romântico! Tenho essa parte dentro de mim, embora o mundo hoje já não aceite mais o romântico, o carinhoso, o amoroso, o fervor ardente do amor. Poemas, poesias, sonetos e etc. estão sempre surgindo, principalmente, à noite. Noite que adoro! A lua e a mulher, pela sua beleza, candura, formosura e delicadeza. A mulher me encanta e me inspira, o lado angelical, sensível e encantador da mulher me faz poeta.

d)     Memórias
JP – Memória é um mundo que tenho dentro de mim, o qual é cândido, puro, inocente, belo, divino, educado, obediente, caridoso, sem preconceito, cheio de paz, obediência, respeito, integridade, confiança, liberdade, paz, felicidade, experiência e amor. São modos de vida que queria hoje para meus filhos e netos, viver com confiança no ser humano, viver no mundo sem medo, com segurança obediente sem necessidade de tantas leis quais só reativaram as infrações. As memórias são formas novas de literatura que eu escrevo, mas também escrevo manuais didáticos, teóricos e técnicos sobre xilogravura. E mais: crônicas e cartas, em que discuto religião e, às vezes, até tento ser filósofo. Tenho uma grande diversidade de textos. São textos que surgem durante a noite, quando estou trabalhando, entalhando, desenhando ou imprimindo gravuras. De repente, na calada da noite, surgem os textos. Paro o que estou fazendo e começo a escrever palavras que vão surgindo na minha mente, inexplicavelmente, formando palavras e textos, que eu mesmo me surpreendo pela capacidade de escrever algo que eu não pensava em elaborar, e que surgiram sem pensamento ou formalização. Esse é mais um dos motivos pelo qual digo que não posso me definir, porque não conheço a mim mesmo, faço o que gosto sem saber o que faço e, a maioria do que faço, surge por acaso, de imediato na minha mente e tenho que fazer instantaneamente. Do contrário, poderia esquecer se não aproveitar o momento fértil da inspiração. Surgem muitas palavras em mim, que emanam de uma fonte transbordante transpessoal ou astral.

6 – Um dos seus textos que mais me chamou atenção foi o texto “Célia”, que está contido em seu livro autobiográfico. Neste texto, você conta como conheceu sua esposa e como aconteceu seu casamento. Ele me fez rever a cidade de Juazeiro do Norte do final dos anos 1980 e do início de 1990. Quando você descreve as festas juninas, é inevitável que a gente não volte no tempo e relembre as cenas daquele tempo com nostalgia. Você poderia comentar sobre este texto? Célia é sua esposa num casamento que lhe rendeu três filhos e alguns netos. Você recomenda o casamento? O que sua família representa em sua vida?

JP – Sim, recomendo o casamento! Deus fez o homem e a mulher para dar continuidade à sua criação. A união do homem e da mulher para a construção da família é fundamental para os desígnios de Deus. Por exemplo, temos a união de José e Maria para o nascimento do filho de Deus. O criador não necessitava, mais assim o fez para mostrar ao mundo que até mesmo o todo poderoso, para enviar seu filho ao mundo, escolheu um homem e uma mulher. Maria é a única mãe que é filha do filho, mãe do verbo encarnado. São Paulo, em sua epístola, diz: “Se é de viver ardendo na chama do amor, é melhor que se case”. A família é sagrada nos céus e na terra.
O texto “Célia”, se pudesse, teria escrito com tinta de sangue do coração. Ela é tudo para mim, toda minha realização está com ela. É como diz o ditado: “Por traz de um grande homem, tem sempre uma grande mulher”. Não sou grande, mas tudo que conquistei agradeço a Deus e a ela. Ela é mais forte do que eu, nela vi a verdadeira força de um ser humano, a força de todas as mulheres está nela, a bravura, a doçura, a candura, a beleza, a perfeição, a sinceridade, a verdade, a sabedoria, a caridade, a maternidade e o amor puro. O que escrevi no texto sobre ela é pouco, ela é uma deusa!

7 – Mais uma vez recorrendo à matéria de Gilmar de Carvalho, já mencionada, ele comenta: “João Pedro dorme pouco, fuma feito uma caipora, toma café de garrafa e trabalha feito um condenado”. Este ritmo o fez adoecer e passar por problemas de saúde. Como foi esta experiência e como isto repercutiu em sua produção artística?

JP – A noite é uma deusa fértil inspiradora e bondosa. Na noite, eu posso tudo, posso ser artista, escritor, poeta, filósofo, orador fervoroso, conversar com Deus, captar os sonhos dos que dormem para realizar meus trabalhos e, quando eles acordarem, encontrarem o que desejavam achar. E, de certo modo, realizarem o que desejam e realizarem o meu sonho de realizar o sonho deles e me realizar através deles!
A doença foi, por amor, no coração. Com ela, eu pude encontrar com Deus que me sustenta até hoje. Sou o homem mais feliz e sortudo! Tenho quatro pontes mamárias e safenas, seis cateterismos, uma angioplastia com três stentes, uma arteriografia com um stent, uma trombose, vários começos de infartos. Vivo sustentado por medicamentos e, na falta deles, eu morreria. Só mesmo Deus para um ser vivente continuar vivo com tudo que já passei. Morri umas cinco vezes e retornei à vida. Graças a Deus, sou o homem mais feliz da vida! Só tenho a agradecer à Santíssima Trindade todos os dias e horas de vida que tenho! Obrigado, Deus, Jesus Cristo, Divino Espírito Santo! Meu Padim Çiço e a Virgem Maria!

8 – Você aborda muitos temas em suas xilogravuras. Qual deles você mais gosta?

JP – A iconografia nordestina, toda história infinda do meu sertão.

9 – Para concluir, vou entrar numa área bem subjetiva. Neste sentido, queria perguntar a você o seguinte: você é feliz? Tem algum sonho que ainda não realizou?

JP – Sim, sou feliz, porque um matuto chegar aonde cheguei! Tenho uma família exemplar, já consegui, com meu trabalho, vários prêmios, menção honrosa, realizei exposições em vários países e conheci outros. Escrevi, ainda, dezenas de cordéis e escrevi vários livros. Considerado um dos melhores professores da arte de gravar, em 2004, no jornal, fui descrito como o maior artista do Brasil. Quando fui para Portugal, fui como artista, professor e pesquisador, tanto no convite quanto na publicação no Jornal Diário do Nordeste.  O que um matuto pode querer mais? Dou graças a Deus!
            O sonho não realizado é o de não poder mudar o mundo. Enquanto isso, vou mudando a mim e buscando fazer o máximo, que é pouco para o muito que tenho a fazer. Este é meu sonho a realizar.

10 Você considera importante que as pessoas professem uma crença religiosa?

JP – Sim, as religiões foram criadas para suprir a fraqueza das pessoas. As crenças são como pedaços de uma carta, e essa carta é Deus. Mas o homem precisa crer, pois crendo ele acreditará nele mesmo e, acreditando nele, acreditará em Deus e o encontrará dentro de si.
 “As religiões não são os meios de encontrar-se com Deus. A fé em Deus é a forma de encontrar-se com Ele dentro de nós, onde Ele sempre esteve”.

11 – E, por último, devo perguntar: como você definiria a vida?

JP – A vida é o que você planta! Temos que plantar árvore que dê bons frutos para a posteridade, para lembrarem que você plantou algo benéfico, para saciar a fome: material, mental e espiritual.

Émerson Cardoso 
09/06/018









[1] CASIMIRO, Renato. João Pedro. In: Xilogravura: a arte de gravar (Catálogo das Exposições Itinerantes e Oficina de Xilogravura realizadas pelo CCBNB em Araripe, Mossoró e Juazeiro do Norte). Fortaleza – CE: 2006.
[2] CARVALHO, Gilmar. João Pedro do Juazeiro e do mundo. In: Cariri Revista, n. 07, Juazeiro do Norte, p. 49 – 52, out. 2012.  

terça-feira, 27 de março de 2018

A ILUSTRE SENHORA DA RUA DE SÃO BENEDITO


(Para Etelvina Cabral)

Maria Raquel da Conceição. Era este seu nome. O nome de uma das mulheres mais fortes que já conheci. E quando digo forte não digo apenas por sua imponente estatura e fortaleza do corpo, que eram características notáveis, mas por ela ser uma mulher que suportou muitas dores na vida.
Estou vendo-a agora, sentada à cabeceira direita da mesa, sempre impetuosa e capaz de impor a quem quer que fosse aquele seu modo de ser. Impressionava que uma mulher que não estudou soubesse tanto. Era capaz de dizer com educação as mais duras palavras, mas sabia dizer a verdade também sem poupar o ouvido daquele que merecesse uma boa exortação.
Lembro-me sempre dela e, quando a trago à memória, é como se ela ainda estivesse na velha casa da Rua de São Benedito na qual ela viveu a maior parte da vida.  
Os netos e bisnetos chamavam-na de Mãezinha. Ela era cheia de manias: tinha a xícara em que costumava tomar os fortes cafés que muito estimava; o cachimbo que fumava apertando bem o fumo com uma brasa; a colher que ela dizia que era sua e com a qual sempre comia; os longos vestidos pregueados; a trança – meu Deus, a protegida trança de palha que ela produzia pacientemente para fazer chapéu e que se alguém molhasse poderia ser punido ferozmente –; o anel de ouro que tinha a letra inicial do seu filho Ivo, que morreu em Goiás; as sandálias da marca Samello, pretas e de rosto; as mãos compridas e cheias de veias sobre a mesa; o olhar atento que dava com a porta da entrada que vivia sempre aberta para quem quer que fosse – mesmo sob protesto da filha que não casou e que se sentia invadida com a muita visitação da casa – e o cabelo muito crespo e grisalho que prendia em nó centralizado sobre a cabeça com auxílio de vaselina e de um pente preto. 
Na casa da Rua de São Benedito havia algo que muito lembra Dona Maria Raquel: a imagem de uma Nossa Senhora das Dores que ela conservava há anos num zelo sem tamanho. A santa tinha um manto azul com detalhes dourados e o rosto de tristeza pelo filho na cruz. Eu sempre contemplei àquela imagem e só me vinha à mente a ideia de que se um dia alguém a quebrasse Dona Maria Raquel, além de ficar muito triste, poderia matar o desastrado.
O Coração de Jesus, muito antigo, ficava logo acima da mesa do santo. A moldura deveria ter sido produzida no começo do século XX. Havia outros santos muitos: na porta da entrada estava o Padre Cícero, e na outra porta, que tinha sido fechada há séculos, estava São João segurando o carneirinho tranquilamente. A renovação da casa acontecia no dia de São Pedro. Neste dia, Dona Maria Raquel ficava pensativa e, às vezes, chorosa.
Nascida em Barbalha, no dia 15 de abril de 1917, veio para o Juazeiro do Norte ainda menina. Com certeza, como muitos nordestinos que fizeram a vida nesta terra, veio por estar certa de que poderia contar com a proteção do Padre Cícero. E assim foi. Ela mesma disse-me várias vezes que na terrível seca de 1932, quando seu pai precisou sair da cidade à procura de trabalho, ela ficou com a mãe e o irmão mais novo em situação de muita privação. Ao contar suas histórias do “outro tempo” – era assim que ela se referia a seu passado – costumava fazer inúmeras pausas.  
Ela, certa vez, num dia de domingo, ao contar esse episódio de sua vasta vida começou a chorar lembrando-se certamente da mãe e do irmão naquele tempo de sofrimento. Sua mãe estava fraca e o irmão estava de “beiço branco” de fome – era neste trecho que ela costumava chorar –, aí aproveitou que uma madrinha ia à casa do Padre Cícero pedir ajuda e a acompanhou. Como a menina Maria Raquel sabia que no Buriti, caminho do Crato, o povo ia buscar mantimento mandado pelo governo, para os flagelados da seca, ela decidiu que deveria pedir consentimento ao padre e ir com sua mãe para tentar conseguir algum auxílio.
Ao chegar no casarão da Rua São José, local em que o padre morava, ela teve que pedir três vezes até escutar a enérgica pergunta do padre tido como santo: “Você quer que sua mãe morra?” Ao que ela respondeu: “Quero não, meu Padim!” E ele disse mais uma vez: “Pois se sua mãe for ela vai morrer, já viu?” E chamando uma das beatas que o auxiliava, ordenou que entregasse à menina alguns “tões” e alguns “vinténs”, e ordenou que a menina fosse buscar o dinheiro todo dia. Ela recebeu a quantia por quase três meses. Ao receber a quantia pela primeira vez, ela foi para a feira e comprou alguns mantimentos e uma pequena quantidade de fumo que sua mãe, quando a recebeu em plena felicidade, começou a chorar. E Dona Maria Raquel, lembrando-se da mãe, chorava também.
Além desta história que eu escutei várias vezes, sem que ela nunca se contradissesse, lembro-me de suas recordações sobre um gato. Ela dizia que só tinha sorte se criasse gata, porque gato dava problema.
Certa vez ganhou um “gato macho”, quando meninota, e um dos irmãos chutou o bendito gato não se sabe o porquê. Segundo ela, houve uma briga tão dos diabos que eles derrubaram uma parede. Ela dizia rindo que o irmão disse a seguinte desfeita: “Vou olhar se essa nega é homem, ou mulher!” Foi briga feia e intriga por toda uma vida.
Além de ter convivido com o Padre Cícero e ter brigado em defesa de seu animal de estimação, ela também colocou vela na mão de muitos que estavam agonizando e foi parteira. Muitas crianças nascidas na Rua de São Benedito, daquela época, foram colocadas no mundo com sua ajuda – ela tinha equilíbrio emocional invejável.  
E agora me vieram lembranças engraçadas sobre ela. Ela dizia “chacolate” ao invés de chocolate, gostava de dizer: “Abra do olho!” – dizia isto para que seu interlocutor se orientasse de alguma coisa errada que estivesse fazendo. Hilários eram os seus embates com a comadre Missia, sua cunhada que sempre foi muito ranzinza, embora fosse boa pessoa. Ela era bem magra e Dona Maria Raquel vivia rindo das magrezas dela. Missia dizia que só andava naquela casa porque tinha Maria lá. De fato, Missia deixou muito de visitá-la depois que Dona Maria se foi.
Dona Maria dizia que, um dia feliz, iria comprar um rádio para escutar só a Rádio Progresso AM de Juazeiro do Norte. Após o almoço, era comum alguém entrar na casa e vê-la deitada no canto da parede, com a cabeça sobre a “forma” de chapéu forrada com um pano, cochilando enquanto a Rádio Progresso falava. Rádio Progresso, eis a marca maior de Dona Maria Raquel. Ouvinte assídua desta rádio, ai de quem mudasse a sintonia! Em certo domingo, antes do almoço, ela ouviu Altemar Dutra cantar a Música O Troco, e chorou muito. Eu observava sem entender e sem saber o que dizer. O que lembrava ou de quem se lembrava naquele momento?
Um retrato triste me vem quando reencontro a casa em minha memória. Abre-se a porta da sala e há um corredor, no corredor há duas portas que dão para dois quartos e, no meio do corredor, sempre de pé, está uma máquina de costura. Logo à frente, na sala de jantar, está ela, sentada na ponta da mesa numa cadeira forrada com um tipo de couro que não sei quem lhe deu. A rádio progresso, a televisão ou a trança de chapéu de carnaúba a distraem.
Eu não queria falar sobre a ida de Dona Maria Raquel, mas a viagem que ela fez é algo inevitável para todos nós. Eu queria, em verdade, falar só sobre o quanto aquela senhora, de presença tanta, representou para mim. Nos últimos dias que a encontrei, eu comemorava a aprovação no vestibular – eu tinha passado para o Curso de Letras, que mudou minha vida. Ela, já doente, olhou para mim, na calçada da casa da Rua de São Benedito, e disse, chorando, que estava muito feliz por mim e que eu ia ser uma coisa grande. Eu ia ser uma coisa grande! Na simplicidade das palavras, ela disse algo que eu nunca soube se serei, no entanto que eu luto sempre para ser.
Dona Maria Raquel foi o porto seguro de muita gente. Foi rigorosa quando achou que deveria ser. Para alguns, pode ter sido injusta, mas também foi um ser humano sofrido, que lutou sempre para sobreviver, que teve muito motivo para desistir da vida, no entanto não o fez. Corajosa, tornou-se mais que uma simples mulher de fortaleza incalculável, foi, antes de tudo, grande. E foi grande para ser porto seguro de tantas pessoas que, como eu, precisariam ao menos de sua presença reconfortante e que assegurava tanta força para todos.
Entrar na casa da Rua de São Benedito e não ver Dona Maria Raquel, aquela que foi nossa maior, é muito doloroso. Então gravo, para sempre, neste texto tão simples, a lembrança dessa figura de personalidade ímpar. Como sei que um dia nos reencontraremos, ficarei apenas esperando o grande dia do nosso reencontro, aí vou dizer o quanto foi difícil perder, por toda uma vida, a nossa figura tão grandiosa.                                                                                                                                                                                              
                                                                                                                                                 Émerson Cardoso
15/04/09

sexta-feira, 23 de março de 2018

NOTAS SOBRE LÍNGUA PORTUGUESA

  •       Formada por um conjunto de signos linguísticos, a língua dispõe de regras específicas para organização e combinação das palavras, que se alteram ao longo do tempo, conforme mudam os aspectos culturais e históricos da comunidade linguística; 
  •          Entre os falantes, existem diferenças que podem ter impacto na língua. Uma das variações mais perceptíveis está relacionada às diferenças no uso da língua portuguesa nas diversas regiões do mundo. Particularidades lexicais e diferentes pronúncias são alguns dos aspectos que distinguem as variedades do português; 
  •          A propósito da língua portuguesa, devemos dizer que ela é oficial nos seguintes países: Portugal, Brasil, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Além disso, Macau, na China, e Goa, na Índia, também têm comunidades falantes do português. Em 2014, a Guiné Equatorial também incluiu a língua portuguesa como língua oficial.
  •         Sobre o ensino da língua, Marcuschi (2008, p. 51) sugere que “deva dar-se através de textos”. Ele enfatiza, ainda, o fato de que esta postura é consenso tanto entre linguistas teóricos como aplicados. Essa proposta é uma prática comum na escola e orientação central dos PCNs, e a questão, para o autor, não reside no consenso ou na aceitação deste postulado, mas no modo como isto é posto em prática, já que muitas são as formas de se trabalhar textos;
  •      E, em se tratando de Língua Portuguesa, trago dois textos que são extraordinários na abordagem que realizam sobre o assunto:      

                                               Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
és, a um mesmo tempo, esplendor e sepultura:
ouro nativo, que na ganga impura
a bruta mina entre os cascalhos vela...

amo-te assim, desconhecida e obscura,
tuba de alto clangor, lira singela,
que tens o trom e o silvo da procela,
e o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
de virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

em que da voz materna ouvi: “meu filho”!
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
o gênio sem ventura e o amor sem brilho!

(Olavo Bilac)


A FORÇA DO DESTINO

Língua portuguesa, que é [...] um feudo forte e lírico ao mesmo tempo. Um barco que até hoje singra generoso o Atlântico, ora consolando Portugal, ora perturbando o Brasil. E porque esta língua tem vocação marítima, entende bem os impróprios do vento, mais que qualquer outra se deixa levar pelos sentimentos. Os ais e os prantos a seduzem tanto, que esta língua busca as estradas das mágoas que só ganharão o corpo e expressão através de seus recursos. E porque se orgulha, de rosto e sexo ardentes, é capaz de saber, apenas pelo apito do trem, se quarta-feira é dia dos amantes usarem-na quando se querem perder para sempre.

(Nélida Piñon)

RESENHAS CRÍTICAS DA "REVISTA" PRODUZIDA NO CURSO: "CINEMA: UMA EXPERIÊNCIA CULTURAL NO ÂMBITO ESCOLAR"

 

Esta Revista, publicada em agosto de 2017, é resultado do curso Cinema: uma Experiência Cultural no Âmbito Escolar realizado como disciplina eletiva na EEMTI Presidente Geisel. O curso se pautou na realização de um estudo teórico-crítico acerca do cinema e dispôs-se a refletir a arte cinematográfica a partir de seus aspectos históricos, estéticos e socioculturais.

Neste sentido, discorremos sobre o cinema como manifestação artística capaz de possibilitar, no âmbito escolar, a ampliação da aprendizagem do aluno a partir de experiências de fruição artística, incentivo à reflexão e fomento à análise crítica. O curso foi desenvolvido, do ponto de vista metodológico, em duas partes: 1) aulas expositivas através das quais o conteúdo cinematográfico foi apresentado em suas particularidades e 2) realização de atividades que compreenderam: estudo e produção de resenhas críticas, debates e exibição de filmes de longa metragem.             
 (Émerson Cardoso)

 RESENHA CRÍTICA SOBRE O FILME
 LARANJA MECÂNICA, DE STANLEY KUBRICK
  
Alguns meses atrás eu decidi fazer uma maratona de filmes clássicos famosos e, nesta maratona, eu acabei assistindo ao consagrado thriller Laranja Mecânica, do renomado diretor e roteirista Stanley Kubrick, lançado em 1971.
O filme Laranja Mecânica (Clockwork Orange) é baseado no romance escrito em 1962, por Anthony Burgess, obra em que ele retrata um grupo de rua distópico baseado nos Teddy Boys, Mods e Rockers, que lutavam nas praias da Inglaterra no final da década de 1950 e início de 1960. O romance escrito por Burgess trata-se de jovens entre 10 e 23 anos que se entregam aos desejos de sexo, violência, roubo, drogas e outros vícios. O livro foi publicado com notoriedade em 1959, mas durante muito tempo acreditou-se que era impossível filmá-lo.
O enredo do filme coloca Malcom Mcdowell como o delinquente, porém muito inteligente Alex DeLarge, o líder do bando os “Droogs” – formado por Patrick Magee e Warren Clarke que estão sempre vestidos com macacões brancos e usando chapéus-coco pretos. O filme começa com o sorriso malévolo de Alex que, com os “Droogs” bebem moloko, uma bebida que, segundo Alex, te deixaria pronto para a velha “ultraviolência”. Após esse ritual, os mesmos espancam um bêbado, lutam com um bando rival, roubam um carro, conduzem como loucos e, quando chegam a casa futurista do escritor Frank Alexander, Alex o engana dizendo ter sofrido um grave acidente para conseguir entrar na casa, e obriga Frank a olhá-lo enquanto ele viola sua esposa. Além disso, Alex prende Frank e o espanca enquanto canta aos berros a música Singing In The Rain. Nesta cena, em que Kubrick pede a Malcom Mcdowell para que ele improvisasse, o ator canta essa música porque, no momento, foi a única que ele lembrou da letra. É interessante ressaltar que a cena do estupro é bastante sórdida, o que marca um dos grandes pontos do filme, que é chocar o espectador.
Quando Alex volta para casa, escuta a gloriosa Nona Sinfonia de Beethoven enquanto imagina guerras, explosões, vampiros, enforcamentos, morte e destruição. Na noite seguinte, Alex utiliza uma estrutura fálica para matar uma mulher e é abandonado pelos seus “Droogs”, sendo apanhado, em seguida, pela polícia.
Após isso, o filme segue repleto de Plot Twists, o que faz dele um dos marcos do cinema mundial, aclamadíssimo pela crítica e estudado até hoje nas escolas de cinema ao redor do globo. Em contrapartida, esse filme foi um dos mais polêmicos de Kubrick, de modo que foi retirado de circulação no mesmo ano pelo próprio diretor, o que perdurou por quase 30 anos na Inglaterra, por ter sido considerado apologia aos diversos crimes retratados no filme.
Com uma trilha sonora marcante dos renomados Wendy Carlos e Rachel Elkind, e enquadramentos tão perfeitos e diferentes que são características e marcas do diretor de fotografia John Alcott, que utilizou técnicas de fast e slow motion nas cenas de sexo e de violência. Vale dizer, ainda, que o uso apenas de luz natural, que valorizou e trouxe um ar de distopia para as cenas, tornou o filme uma verdadeira obra de arte.
(Gyslaine Costa)

A MENTIRA

Olive é estimulada pela melhor amiga a revelar detalhes de seu fim de semana entediante. Olive, uma adolescente muito certinha, decide apimentar um pouco os detalhes contando uma pequena mentira sobre a perda de sua virgindade. Uma das meninas religiosas do colégio fica em choque com a conversa, ela conta o que ouviu a todo o campus, dando a Olive uma reputação repugnante.
A mentira é mais um dos filmes americanos que trata sobre o colegial e sobre adolescentes, e mostra a hierarquia do Ensino Médio: meninas bonitas, atletas, nerds, meninas promíscuas, feias e entre outras classificações. O filme conta a história de uma garota que acaba, sem querer, criando uma mentira, o que a faz sofrer as consequências do que fala.
A comédia mostra que as pessoas não querem saber se algo que é dito é verdade ou não, só querem fofocar sem sequer se preocupar se o que é dito pode causar danos irreparáveis às pessoas envolvidas. O filme nos faz refletir principalmente sobre o seguinte: é difícil ser julgado sem ser ouvido.
A sequência narrativa apresenta Olive (Emma Stone) fazendo um vlog (vídeos do Youtube tipo o que o autor John Green faz) para explicar qual era realmente a verdade por trás de todas as mentiras. Assim, volta e meia, surge a cena do quarto, em que ela fala diretamente com quem assiste e, em outras partes, surge a cena que conta a história propriamente dita.
            Por fim, Olive explica a todos em seu vlog que tudo não passou de um mal entendido, que ela ainda é virgem. Ela fala, ainda, que a partir daquele momento ninguém deve se importar com a vida de ninguém, que isso não vai levá-los a lugar algum.
(Letícia Guerreiro)

 A CULPA É DAS ESTRELAS 

Diagnosticada com câncer de pulmão aos 13 anos, Hazel Grace Lancaster (16 anos) vive graças ao tratamento e, como vive há anos lutando contra o câncer, é obrigada a participar de um grupo de apoio em que conhece Augustus Waters, com que constrói uma relação inicialmente de amizade e, em seguida, afetivo-amorosa.
O filme foi uma adaptação do livro de John Green – eu li o livro e assisti ao filme e, para mim, foi um dos melhores filmes que eu já assisti. Ele discorre sobre um relacionamento intenso e emocionante! No começo do filme, Hazel vai para um grupo de apoio e conhece Augustus ou Gus e, desde a primeira vez em que se viram, trocaram olhares e, daí, ficaram emocionalmente ligados.
Dentre outras peripécias, Hazel consegue uma viagem para Amsterdam, ocasião em que deseja conhecer o autor de seu livro preferido. Lá eles vivem momentos inesquecíveis – em meio ao sonho que vivem, Hazel descobre que falta pouco para ele morrer. Ao voltar para casa, Hazel e o melhor amigo de Augustus vão à igreja e leem cartas de despedida para Gus. Para mim, essa foi a parte mais emocionante do filme! Ao passar alguns dias, Hazel recebe a notícia de que Augustus morreu e o filme termina com a leitura de uma carta que ele escrevera para ela. 
Assim, do meu ponto de vista, penso que o filme nos mostra que temos que aproveitar os momentos como se fossem únicos e que o verdadeiro amor nasce mesmo em tempos difíceis.
(Lívia Maria)

LOGAN

Dirigido por James Mangolg, em 2017, Logan tem no elenco Boyd Holbrook, Dave Davis, Dafne Keen Doris Morgado, Elise Neal, Elizabeth Rodriguez, Eriq La Salle, Hugh Jackman, Jaden Francis, Juan Gaspard, Julia Holt, dentre outros.
O filme se passa em um futuro distante em que Logan (Hugh Jackman) luta pela sobrevivência do seu amigo Charles (Patrick Stewart), que já está bem velho, e de Laura (Dafne Keen), que é uma garota parecida com o Logan, com poderes que ainda estão sendo gerenciados. Ela é uma aprendiz, mas em cena mostra a que veio – são momentos de cair o queixo, literalmente. A garota deve ter dado trabalho para os dublês. Por causa do grande espaço para violência em estado puro (nada estilizado – quase um documento de cenas para revirar o estômago, no bom sentido, se é que existe), e alguns xingamentos mais fortes, a classificação indicativa americana ficou para maior de 18 anos, com razão, pois é um filme de “herói” com crianças, mas não é um filme pra criança.
A interpretação dos atores é impecável – eles são dignos de Óscar. A fotografia do filme é simplesmente perfeita, com o diretor de fotografia que grava cenas muito lindas e emocionantes com cores bem vivas. A trilha sonora é de Marco Beltrami e com a inconfundível voz de Johnny Cash. O filme realmente estava perfeito e, em minha opinião, digno de Óscar em vários aspectos.
(Pedro Guilherme Siqueira)

NO CORAÇÃO DO MAR

O filme nos traz o escritor Herman Melville em busca dos fatos reais do navio Essex para a criação da sua maior obra: Moby Dyck. Para isso, ele entra em contato com um senhor sobrevivente e, a partir da narração dos fatos, temos uma viagem no tempo.
            O que ele descobre é o seguinte: em 1820 um navio baleeiro, liderado pelo capitão George Pollard, parte em uma gananciosa busca de 2000 barris de óleo de baleia. Para isso, o capitão Pollard, que não é nada experiente, conta com a ajuda do seu primeiro oficial Owen Chase que, podemos dizer, é um veterano no assunto e sonha em ser capitão, inclusive deveria ser o capitão de tal missão.
Owen e Pollard não demoram muito para entrar em conflito e, como são obrigados a conviver juntos, a única coisa que podem fazer para se livrarem um do outro é atingir logo a meta a que foram destinados. Com isso, eles navegam até a costa do Sul da América onde as baleias não são escassas e acabam se surpreendendo com uma baleia branca gigante, que irá lutar por sua sobrevivência e acabará atacando o navio deixando os tripulantes largados no mar à própria sorte.
            O filme é uma daquelas produções que deixam a gente com um friozinho na barriga em vários trechos. Ele conta com bons efeitos visuais e cenários incríveis. Isso sem falar no elenco, que traz dois conhecidos da Marvel – Hemsworth e Tom Holland. Eu, particularmente, gostei muito desse filme e, por influência do filme, lerei o livro em breve.
(Fernando Victor Lacerda)

 MARY POPPINS REVISITADA 

Dirigido por Robert Stevenson, em 1964, Mary Poppins é um dos filmes indispensáveis para quem gosta de animação e de musicais.
Um dos filmes mais queridos do público de cinema, Mary Poppins ocupa a sexta colocação na Lista dos 25 maiores musicais americanos de todos os tempos. Esse filme traz roteiro baseado no livro de mesmo nome de P. L. Travers, escritora australiana. Depois de 26 anos de planejamento foi que o filme estreou, porque Walt Disney não conseguiu convencer a autora a vender os direitos de adaptação do livro com facilidade – a autora só concordou em vender os direitos autorais do livro no final da década de 1950.
O filme conta a historia do banqueiro Mr. Banks (David Tomlinson), um homem que trata com rigidez seus dois filhos sapecas: Jane (Karen Dotrice) e Michael (Matthew Gaber). Ele não consegue contratar uma babá, pois elas desistem facilmente do emprego. Numa noite, enquanto ele e sua esposa redigem um anúncio de jornal procurando uma babá, seus filhos aparecem com uma carta mostrando como seria uma babá perfeita. Esta carta acaba chegando nas mãos de Mary Poppins, que é tudo aquilo que está descrito na carta.
Devemos considerar dois fatos interessantes na obra: é atemporal e não é destinada apenas para o público infantil, é um filme para todas as idades. O filme faz os pais refletirem sobre como devem passar mais tempo com seus filhos. Tem uma trilha sonora impecável, com canções lindas.
Assim, esse filme é divertido, muito bem feito e vencedor de vários prêmios, incluindo Óscar e Globo de Ouro. Mary Poppins, que vimos em uma das aulas da disciplina eletiva de Cinema, no primeiro semestre de 2017, nos convida a embarcar em uma fantástica aventura repleta de humor e fantasia.
(Maria Glaucia Araújo e Silva e Maria Eduarda Batista Rolim)

CENTRAL DO BRASIL
  
Centra do Brasil é dirigido por Walter Salles e é considerado uma verdadeira obra-prima do cinema nacional. O sucesso do filme se deu tanto nacional quanto internacionalmente – não podemos esquecer que foi indicado para o Globo de Ouro e para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de receber indicação de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro.
            A história começa na estação de trem do Rio de Janeiro em que Dora (Fernanda Montenegro), professora aposentada, escreve cartas para pessoas não alfabetizadas. Uma das clientes, Ana Fontenele (Soia Lira), que estava ao lado do filho Josué (Vinícius de Oliveira), queria comunicar-se com Jesus, seu ex-marido que morava em Bom Jesus do Norte.
            Quando chegava em casa, Dora e sua vizinha Irene (Marília Pêra) liam as cartas das pessoas e as jogavam fora. Certo dia, Ana reaparece na estação e pede a Dora para rasgar a antiga carta e mandar outra. Na volta para casa, Ana sofre um acidente.
            O enredo se desenrola a partir daí, pois com a morte da mãe, Josué fica abandonado na estação e Dora, comovida com a situação do menino, termina por querer ajudá-lo a encontrar seu pai.
            O drama bem elaborado, com interpretações de um elenco magnífico, traz mais interesse para o espectador, tanto o jovem quanto adulto. As cores em destaque no filme são mortas, apagadas, o que representa uma tentativa de aproximar o visual da crueza do espaço social em que as personagens transitam.
(Maria Eduarda Mendes)

TEORIAS DO AMOR EM
“500 DIAS COM ELA”

“500 days of Summer”, em inglês, é uma comédia romântica/drama dirigido por Marc Webb, em 2009. O enredo desse filme lhe conferiu a 10ª posição entre os melhores filmes do ano pela National Board of Review Awards, além de outras indicações a prêmios importantes, dos quais foi vencedor inclusive na categoria: “Melhor Roteiro Original”, pela Southeastern Film Critics Association.
O filme é construído a partir de uma narrativa não-linear que apresenta, através do ponto de vista de seu protagonista Tom Hansen, interpretado por Joseph Gordon Levitt, os 500 dias de seu relacionamento com Summer (Zooey Deschanel). Seu roteiro criativo e inteligente é,  até hoje, alvo de diferentes interpretações entre fãs, críticos e admiradores da sétima arte.
Tom, protagonista da trama, cresceu acreditando que não seria feliz até que conhecesse “a garota certa’’. Summer, por sua vez, não compartilhava desta crença, afirmando desde o início sua preferência por viver sozinha, e a repulsa pela ideia de pertencer a alguém de alguma forma.
O clímax do filme acontece durante os tristes vislumbres de Tom a respeito da inesperada atitude de Summer de pôr um fim no relacionamento não rotulado que mantinham até então. A realidade com que são retratadas as desilusões na trama e a fuga da romantização, incomum nesse tipo de gênero cinematográfico, podem ser destacadas como pontos positivos desta produção.
O competente trabalho de fotografia, enfatizando as cenas mais dramáticas do filme com cores frias e a iluminação mais baixa, aliado à interpretação entregue de Joseph (Tom) e Zooey (Summer), rendeu o resultado incrível que transporta o espectador para mais próximo das emoções vividas pelos personagens.
Por fim, a trilha sonora produz a harmonia perfeita da narrativa, sendo um importante elemento de composição da trama considerada um dos mais bem sucedidos “hits” do ano em 2009.
(Pietra Pinheiro)

DONNIE DARKO
E O COELHO GIGANTE


Donnie Darko é um filme com roteiro criativo e imprevisível que, apesar de fictício, remete a conceitos da Física e Psicologia. Produzido em 2001, com roteiro e direção de Richard Kelly, e direção de fotografia de Steven Poster, conta com uma incrível trilha sonora composta por clássicos dos anos 80.
A trama se passa nos anos 1980 e acompanha a vida de um garoto esquizofrênico chamado Donnie Darko (Jake Gyllenhaal). Certa noite, Donnie é atraído por um homem que diz se chamar Frank (James Duval) usando uma fantasia de coelho amedrontadora. Frank diz a Donnie que o mundo irá acabar em exatamente 28 dias, 06 horas, 42 minutos e 12 segundos. Após esse encontro, Donnie acorda em meio a um campo de golfe sem saber como foi parar ali (o que é bem comum para o garoto que sofre de sonambulismo). Ao chegar em casa, ele se depara com uma grande movimentação, pois uma turbina de avião caíra em cima do seu quarto – Frank havia salvado sua vida.
A partir daí, a trama ganha fôlego. Frank induz Donnie a cometer alguns crimes, mas não sem razão, todos com relevância e acabam mudando o rumo da história. Isto se dá até que um dia Donnie ganha, de seu professor de Física (Noah Wyle), o livro: “A filosofia da viagem no tempo”, escrito por Roberta Sparrow/Vovó Morte (Patience Cleveland). Donnie começa a questionar-se e estudar sobre esses conceitos, tendo algumas alucinações. Tendo lido esse livro, Donnie se sente que tem algo de grande responsabilidade nas mãos. 
Donnie Darko é um dos primeiros Cult Movies do século XXI. Sem o apoio de grandes estúdios, o filme alcançou sucesso por mérito próprio. Mas, mesmo sendo um filme complexo e difícil de entender, Donnie Darko agrada a maioria de seu público alvo, talvez seja justamente por essa dificuldade em entendê-lo que o filme chama tanta atenção.
(Victória Vieira)
O PEQUENO PRÍNCIPE

Algumas pessoas têm resistência a filmes musicais – eu não. Eu gosto muito deles. Agora, imaginemos um musical adaptado de uma das mais populares obras literárias do mundo – não tenho como não gostar!
O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, foi adaptado por Stanley Donen em 1974. Com canções entre divertidas e líricas, como It’s a hat, Be happy e A snake in the grass, encontramos nele excelentes canções. Considero que as atuações merecem elogios, assim como alguns cenários e efeitos especiais. A adaptação também tem seus valores.
O Príncipe que veio do asteroide B-612, e encontrou-se no deserto do Saara com um piloto que sofrera um acidente aéreo, foi uma personagem que me marcou profundamente na infância. Eu me perdia em pensamentos, quando criança, na tentativa de entender o porquê de o Príncipe viver no asteroide sozinho, sem pai nem mãe, e andar naquela pequena morada sem, contudo, cair no espaço para sempre – eu não contava com a astúcia da gravidade, claro. Era tudo tão mágico para mim!
Eu assisti a essa versão de um dos livros que mais li na vida quando já era adulto, no entanto foi como se eu voltasse a viver os sentimentos que eu resguardava em mim quando eu era criança. Foi uma experiência triste, porém gratificante.
O Pequeno Príncipe, de Donen, é um clássico. Vale a pena assisti-lo e reassisti-lo, certamente. Claro que é necessário recorrer à sensibilidade que, por vezes, perdemos quando a vida adulta já nos impõe que o que era mágico agora é absurdo, ilógico e impossível. Nesta perspectiva, cabe retomar a já mil vezes citada frase do livro: “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”.
(Émerson Cardoso)

O MÁGICO DE OZ

Em 1939, Victor Fleming adaptou para o cinema a obra de L. Frank Baum The wizard of Oz (1900) – no Brasil, O mágico de OZ. A protagonista, Dorothy, é levada por um tornado para uma terra mágica e, na tentativa de voltar para seu lar, ela é informada de que precisa encontrar-se com o grande mágico de Oz na Cidade das Esmeraldas, pois somente assim ela poderia realizar seu desejo.   
Em sua jornada, Dorothy encontra-se com personagens que, assim como ela, também têm um desejo a realizar: o espantalho busca um cérebro, o homem de lata busca um coração e o leão covarde busca coragem. Nesta caminhada, somos apresentados à marcante trilha sonora do filme e a acontecimentos que nos instigam a refletir sobre temas diversos e que podem nos comover profundamente. 
Indicado a seis Óscar, esse filme venceu nas categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original. A canção Over the rainbow é considerada uma das mais belas do cinema, e tem sido amplamente revisitada em gravações as mais diversas. Os muitos problemas de produção não afetaram a qualidade desse filme considerado um dos maiores filmes de todos os tempos. De acordo com a Greatest Movie Musicals, do American Film Institute, que em 2006 apresentou uma lista dos 25 maiores filmes musicais, O mágico de Oz ocupa o terceiro lugar da lista.  
 Esse filme é grandioso esteticamente e, sobretudo, pelas reflexões que suscita. Dentre as frases de efeito marcantes, que localizamos em seus diálogos mais que criativos, destacamos a que é dita pelo mágico de Oz ao homem de lata, por ocasião da entrega do coração que este tanto queria: “Um coração não se julga por quanto você ama, mas por quanto você é amado pelos outros”.
(Émerson Cardoso)
DICAS DE FILME:

O JOGO DA IMITAÇÃO

É um filme de 2014, do gênero drama, dirigido por Morten Tyldum. Conta com um elenco que traz Benedict Cumberbatch, Keira Knigtley, Matthew Goode, Charles Dance, Mark Strong, Matteew Beard, Allen Leech, Rory Kinnear, dentre outros. O filme se passa durante a Segunda Guerra Mundial, quando o matemático Alan Turing (Benedict Cumberbatch) e quatro especialistas foram convocados em uma missão secreta para decifrar o código de comunicação dos alemães: o ‘enigma’. Enquanto isto, Alan tem que esconder sua homossexualidade que, na Inglaterra da época, era um crime.
(Letícia Gonçalves)
MARY E MAX: UMA AMIZADE DIFERENTE

Direção de Adam Elliot. Intérpretes: Toni Collete, Philip Seiymour Hoffman, Eric Bana, Barry Humphries. Austrália: 2009. Gênero: Animação / Drama. Baseada numa história real, essa obra apresenta a história de amizade entre duas pessoas muito diferentes: Mary Daisye Dinkle (voz de Toni Collette), uma menina  solitária de oito anos, que vive nos subúrbios de Melbourne – Austrália – e Max Horowitz (voz de Philip Seymour Hoffman), um homem de 44 anos, que mora em Nova York – Estados Unidos. Alcançando 20 anos, e dois continentes, a amizade de Mary e Max sobrevive muito além dos conflitos da vida e dos limites impostos pela distância.
(Émerson Cardoso)