sábado, 24 de janeiro de 2026

LISTA DE DESEJOS PARA ESTE ANO


1. Tomar banho sempre com calma,

2. Plantar uma árvore,

3. Reencontrar amigos (as) para um café, 

4. Tomar muita água,

5. Comer chocolate amargo, 

6. Caminhar em ambientes verdejantes, 

7. Ter crise de riso com pessoas queridas, 

8. Assistir a um bom filme em casa ou no cinema (sozinho ou acompanhado),

9. Encontrar a palavra certa  para um verso em construção, 

10. Conhecer pessoas com a mesma sintonia, 

11. Escutar canções que causam arrepios, 

12. Acordar e poder ficar no quarto lendo sem pressa,

13. Ficar deitado sem preocupações, 

14. Dançar muito, 

15. Comer alimentos saborosos,

16. Lavar o rosto em momentos de calor, 

17. Comprar e ler um livro desejado, 

18. Ficar sozinho de vez em quando,

19. Fazer trilha, 

20. Cantar com amigos que têm gosto musical parecido,

21. Viajar em boas companhias,

22. Escrever, 

23. Ficar sentado, sozinho (ou acompanhado), olhando minha cidade natal lá na Colina do Horto que, para mim, é o meu lugar no mundo...


Feliz 2026!

FOLHEANDO MANUAIS DE LITERATURA


Um panorama da literatura

brinca de passeio em obituários:

nomes, títulos e fotos

sem aprofundamentos biográficos.


Palavras certas de eternidade,

pulando incautas quando escritas,

no hoje são títulos curiosos 

que de leitura não têm garantia.


Certo é que o tempo espera

que alguém saia da página do manual,

com esperança de encontro festivo

que não aceita o morrer que se deu.


Quem vivo ou morto redefiniu estilos

paira perdido em papel e tinta,

quando qualquer água que o molhasse 

de imediato lhe apagaria.


Um manual de literatura 

é túmulo de glória já vivida,

mas ainda sobrevive algum nome

na memória que se pretende amiga.


E não precisa de angústia,

que a nenhum livro salvaria,

pois escrever é processo de vida

que falha se eternidade revindica.


Émerson Cardoso

20/01/2026

13h31

CRÔNICA: UM DOMINGO EM JANEIRO


Domingo de janeiro. Rodoviária de Russas. Luciene chegou ao local de trabalho antes das 6h. Chegou de ressaca com o humor de taurina que não pôde descansar da noite traiçoeira vivida.

Nem o caldo quente restituiu-lhe adequadamente as forças. Quem toma todas em véspera de dia de trabalho enfrenta a vida com gosto azedo na boca e a carne trêmula (era o que tinha para o momento). 

Ela contou a Inês, Tainá e Micaele que foi beber com uma amiga cuja mãe, com raiva da esbórnea da filha, chamou-a de "rapariga" e, não satisfeita, xingou tmabém as pessoas com as quais a ofendida se confraternizava.

Luciene não engoliu o desaforo: "Eu não sou rapariga, minha filha, eu trabalho e tenho responsabilidade!" Diante da afronta da mulher ranzinza, foi isso o que Luciene pôde dizer. Diria mil coisas, se lhe fosse dado tempo para o confronto, porque taurinos são calmos, mas quando se espalham, viu? 

Assim, com o estômago ressacado e ciente de que o desaforo de ser chamada de "rapariga" foi grande, recorreu ao ditado: "Galinha que acompanha pato, morre afogada". O ditado foi muito bem utilizado por Luciene, que encontrou a expressão adequada à sua realidade de moça que também tem o direito de se divertir, mas que foi xingada, sem merecer, porque foi acompanhar pato beberrão e terminou afogada em xingamentos. Como se não bastasse, ainda tinha que trabalhar em pleno domingo sob o caos da ressaca (ninguém merece)!

Luciene é dessas figuras marcantes (tem presença, apesar da baixa estatura). Ela é intensa no modo de falar, ri de si mesma, enfrenta a vida com determinação, bom humor e tem sonhos. Sim, ela quer ser da área do Direito. O pouco de convívio mostrou que ela seria uma excelente profissional nesse campo de atuação. 

Luciene é uma moça cuja vida não foi fácil. Desafios familiares, amores traumatizantes e vinte e poucos anos vividos com intensidade. O que será da vida dela? Ela realizará o sonho de fazer o curso de Direito? Será feliz no amor? Viajará pelo mundo? Se um dia eu reencontrá-la, gostaria muito de saber que ela realizou os sonhos e que era feliz. 

Aliás, nunca esquecerei da rodoviária de Russas (espaço no qual existem mulheres dignas que enfrentam as batalhas cotidianas com humor, força e coragem). Em tão pouco tempo de convívio, quanta coisa podemos aprender quando estamos abertos a escutar.

Émerson Cardoso

18.01.2026