sábado, 16 de novembro de 2013

A PROPÓSITO DO ANIVERSÁRIO DA ESCRITORA RACHEL DE QUEIROZ (17/11/1910 - 04/11/2003)


Outro dia alguém me fez a pergunta que eu menos gosto de escutar em se tratando de Literatura: qual é seu escritor preferido? Eu simplesmente não sei quem é, porque cada escritor consegue, por meio de uma obra ou outra, permanecer afetivamente em minha memória. Determinar quem é o maior ou o melhor escritor, para mim, não me parece tarefa agradável, fácil e necessária. 

Não é preciso viver no mundo e hierarquizar tudo, como tantos fazem. Querem compartimentar, eleger, determinar, ordenar até os gostares literários de que nos valemos para suportar esta existência insustentável. Dizer que prefiro um escritor é preterir um outro, e isto não é gesto de quem se tornou melhor através das tantas leituras realizadas.

Houve uma época em que, se alguém me perguntasse quem era o meu escritor favorito, eu, tão ingênuo quanto incapaz de discernimentos, respondia que não era um escritor o meu favorito, mas uma escritora. A escritora era Rachel de Queiroz. 

Não deixei de amá-la com amor devoto, apenas consegui, com o tempo, libertar-me dos rótulos que eu mesmo criara para mim - ou para ela?

Sabe como foi que Rachel de Queiroz, a escritora cearense que o Brasil reconhece como uma das maiores da nossa Literatura, me foi apresentada? Foi através de um livro de Literatura Brasileira direcionado ao Ensino Médio, de José de Nicola.

Comprei, ainda no Ensino Fundamental, de um colega o citado livro e, ao abrir nas páginas concernentes ao Modernismo, vi a fotografia de uma senhora de riso largo cujo nome era igual ao da minha bisavó materna, a quem eu admirava e respeitava com sofreguidão. Depois, li um fragmento de uma obra intitulada "O Quinze" que, segundo o autor, havia sido escrito por aquela senhora ainda quando esta era uma moça com seus vinte anos. Fiquei fascinando porque, no resumo, a protagonista vivia um dilema: casar, ter filhos e cuidar do marido, conforme outorga a sociedade pautada em conservadorismos, ou emancipar-se, estudar e viver sozinha por estar certa de que nem sempre é possível encontrar em outrem aquilo que poderia aquiescer a alma? Além do tal dilema, havia uma realidade mais grave a irromper daquela obra: uma família paupérrima, sofrida e sem solução, ante as agruras da seca, precisaria, em retirada, buscar novas possibilidades de vida longe da sua terra.

Aquele enredo, sem que eu possa dar explicação ampla, me comoveu profundamente. Um ano após buscar incessantemente aquele livro, uma grande amiga o encontrou para mim e emprestou-me. Eu o apertei nas mãos como se dissesse a mim mesmo que eu seria sempre recompensado por dispor de persistência. Ser persistente foi, devo destacar, uma necessidade maior ao longo de minha vida às vezes áspera como alguns cenários em que Rachel de Queiroz atirou suas personagens.

Eu poderia ter lido "O Quinze" numa tarde, mas protelei o término... Durante duas tardes eu, com os olhos petrificados, li a primeira obra literária que, profundamente, me apresentou a pungência, a solidão, a impotência, a fragilidade, o desespero do ser humano. Nunca mais eu vi o que se convencionou chamar Literatura da mesma forma. 

Por isto Rachel de Queiroz tornou-se a minha escritora preferida. Vieram outras leituras valorosas e epifânicas e envolventes com ares bem superiores em relação à obra "O Quinze", mas justiça seja feita: foi Rachel de Queiroz quem primeiro me tirou da caverna obscura do ser e apresentou-me resquícios de luz - a luz que ela me apresentou, em verdade, era de um sol vermelho e causticante que queima rancorosamente a pele dos homens em épocas de estiagem. 

E até hoje as personagens tão humanas quanto frágeis dessa obra me percorrem. Não sou mais o abobalhado que segurou aos prantos um livro emprestado por uma amiga memorável, mas basta abrir as páginas do romance "O Quinze" novamente e as emoções ressurgem - claro que elas foram acrescidas de um olhar mais crítico, porém nunca serei capaz de ler esta obra sem derramar sobre ela as minhas fragilidades mais sentidas.

Eu li todas as obras romanescas e as peças de teatro de Rachel de Queiroz. Realizei trabalhos acadêmicos sobre algumas delas. Fui pouco racional ao superestimar algumas características pertinentes à autora, também a coloquei num pedestal que ela mesma não aceitaria ser colocada. Decorei trechos de alguns livros, colecionei artigos que discorriam sobre ela e sua obra, guardei fotografias de livros e revistas e divulguei muito seu nome. Conheci suas virtudes literárias e pessoais. Conheci, também, suas falhas e transgressões. Percebendo-a humana, a compreendi e a aceitei melhor, sobretudo aprendi com ela que nem só de encômios deve viver um autor.

No mais, a propósito de sua obra, Maria Moura - e disto eu não abro mão - é a personagem por excelência de Rachel de Queiroz. Maria Moura me ensinou uma frase que tem sido repetida internamente com rigor: "Nesta vida, quem não briga pelo que quer se acaba". Eu a invoco quando quero confrontar aquilo de que tenho medo - como eu poderia imitar tamanha força! 

Quando Rachel de Queiroz faleceu, alguns dias antes do seu aniversário, em 2003, eu prestava Serviço Militar. Ainda fardado, fui entrando na casa de minha bisavó - cujo nome também era Rachel - e a encontrei sentada à frente da televisão fazendo trança de chapéu de carnaúba. Ao lado dela, minha tia foi logo divulgando a notícia funesta... Rachel de Queiroz havia falecido - foi divulgado em todos os jornais de emissoras abertas do país e em vários jornais do exterior. O Ceará de luto, também o Rio de Janeiro. A Língua Portuguesa de luto. E eu, que desejava um dia encontrá-la, tirei-o-cavalo-da-chuva e tentei me controlar. Lembro-me do barulho do meu coturno ecoando no corredor da casa da minha bisavó - saí às pressas para escrever, naquela manhã, um texto elegíaco sobre a autora que me tirou, para sempre, da escuridão intelectual.   

Sempre que é necessário, recorro ao que Rachel de Queiroz, no livro "O Quinze", me disse um dia: "A gente precisa criar seu ambiente, para evitar o excessivo desamparo... Suas ideias, suas reformas, seu apostolado... Embora nunca os realize... nem sequer o tente... mas ao menos os projete, e mentalmente os edifique."

Texto de: Émerson Cardoso
15/11/13

OBRAS DA AUTORA:




















quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A GRANDEZA DA MÚSICA


O QUE É MÚSICA?
Qualquer definição de música passa pela noção de tempo. A música só existe em “movimento pelo tempo”, e sua matéria-prima são os sons. Um som só existe em relação ao silêncio. Daí chegamos à definição de que música é uma organização de sons e silêncios no tempo. Para criar uma sequência de sons, precisamos dos silêncios, e assim nasce o ritmo.

SONS E MELODIA
O som tem alturas diferentes: graves, como, por exemplo, uma buzina de navio; médios, como uma pessoa falando; e agudos, como o canto de um passarinho. Com as diferentes alturas do som criamos a melodia. Com melodia e ritmo temos a base de uma música.

CARACTERÍSTICA DO SOM
Duração: quanto tempo dura um som, se é longo ou curto, de demora para acabar ou acontece muito rápido;
Intensidade: o mesmo que volume, indica se o som é “alto” ou “baixo”.
Altura: grave/agudo, o som “grosso” e o “fino”, as frequências, o espectro auditivo.
Timbre: “a cor” ou a “personalidade” do som, o que nos faz distinguir os diferentes instrumentos e vozes.


COMPONENTES DA MÚSICA
Ritmo: é a pulsação e também o tempo em que as coisas acontecem numa música.
Harmonia: é o acompanhamento da melodia por algum instrumento ou outras melodias paralelas que venham a completar ou se contrapor à melodia principal.
Melodia: é qualquer sequência de notas musicais organizada. Temos em geral numa música uma melodia principal e outras secundárias.

PRÁTICAS EDUCACIONAIS

1.      Musicalização
2.      Percepção auditiva
3.      Teoria musical
4.      História da música
5.      Prática vocal
6.      Prática instrumental
7.      Composição e Regência


MÚSICA ERUDITA
A música tradicionalmente dita como "culta" e, no geral, mais elaborada. É erroneamente conhecida como "música clássica", pois a música clássica real é a música produzida levando em conta os padrões do período musical conhecido como Classicismo. Alguns consideram que seja uma forma de música superior a todas as outras e que seja a real arte musical. Porém, deve ser lembrado que mesmo os compositores eruditos várias vezes utilizaram melodias folclóricas como um elemento importante de suas músicas (como Villa-Lobos). Os gêneros eruditos são divididos sobretudo de acordo com os períodos em que foram compostos, ou pelas características predominantes.


MÚSICA POPULAR
Música associada a movimentos culturais populares. Conseguiu se consolidar apenas após a urbanização e industrialização da tornou-se o tipo musical icônico do século XX. Se apresenta atualmente como a música do cotidiano, tocada em shows e festas, usada para dança e sociabilização. Segue tendências e modismos e, muitas vezes, é associada a valores puramente comerciais. Ao longo do tempo, incorporou diversas tendências vanguardistas e incluiu estilos de grande sofisticação. É um tipo musical frequentemente associado a elementos extra-musicais, como textos (letra de canção), padrões de comportamento e ideologias. É subdividida em incontáveis gêneros distintos, de acordo com a instrumentação, características musicais predominantes e o comportamento do grupo que a pratica ou ouve.


MÚSICA FOLCLÓRICA
Música folclórica ou nacionalista, está associada a fortes elementos culturais de um grupo social. Tem caráter predominantemente rural ou pré-urbano. Normalmente é associada a festas folclóricas ou rituais específicos de uma comunidade. Pode ser funcional (como canções de plantio e colheita, ou a música das rendeiras e lavadeiras). Normalmente é transmitida por imitação e costuma durar décadas ou séculos. Incluem-se neste gênero as cantigas de roda e de ninar. 


MÚSICA RELIGIOSA
Utilizada em liturgias (como missas e funerais) pode ser usada também para ocasiões de adoração e momentos de oração. Cada religião possui formas específicas de música. Como exemplo, temos: a música sacra católica, a música gospel das igrejas evangélicas, a música judaica, os tambores do candomblé e de outros cultos africanos e o canto do muezim, no Islamismo. 



PROFISSÕES
      Músico
      Intérprete
      Cantor
      Instrumentista
      Compositor
      Arranjador
      Maestro
      Produtor musical
      Professor
      Musicólogo
      Luthier

O QUE É MUSICOLOGIA?
Musicologia é o estudo científico ou mesmo a ciência da música. Considera-se musicologia a atividade do musicólogo enquanto ofício do pesquisador em música, diferenciando-se das outras duas grandes áreas da música: a invenção (ofício do compositor) e a interpretação/performance (ofício do instrumentista, cantor ou regente).
É possível que o primeiro a desenvolver atividades que hoje podemos entender como musicológicas tenha sido Aristóxono de Tarento (século IV a. C.). Segundo Aristóxono, em seus Elementos da Harmonia, a música é ao mesmo tempo arte e ciência. A musicologia estuda as amplas perspectivas históricas, antropológicas e estético-poéticas da música, abrangendo tanto questões técnico-operativas como filosóficas da música.
Também fazem parte da tarefa musicológica a notação em suas relações evidentes com a percepção musical, a organologia ou estudo dos instrumentos musicais e a fisiologia aplicada à técnica dos instrumentos e seu desenvolvimento, métodos didáticos, acústica e, por fim, toda possibilidade de teoria musical e suas várias disciplinas, tais como harmonia, contraponto, linguagem e estruturação, incluindo-se as referências internas dos parâmetros musicais (altura, duração, intensidade e timbre).
O musicólogo também analisa as questões musicais tendo-se em vista as referências externas à música. Assim, para se entender os complexos desdobramentos da atividade musical é necessário também abordar suas incontornáveis implicações sociais e ideológicas.

LENDO UM POUCO SOBRE MÚSICA...
KEITH, Swanwick. Ensinando música musicalmente. Trad. de Alda Oliveira e Cristina Tourinho. São Paulo: Moderna, 2003. 
Às vezes a música tem o poder de nos alçar do ordinário, de elevar nossas experiências além do dia a dia e do lugar comum. Para muitas pessoas, a música desperta o que tem sido chamado, frequentemente, de experiências “estéticas”. Mas que espécie de experiências são essas? E como podem músicos e professores ajudar público e alunos por meio da possibilidade de tal “perfeição”? [...] A menos que tenhamos uma clara visão da natureza potencial e do significado da música, é pouco provável que nossa performance e ensino sigam muito mais adiante. (2003, p. 19)
     A estética tende a ser definida por uma multiplicidade de maneiras, e é muito frequente uma confusão insatisfatória de conceitos distintos, incluindo o estético, o artístico e o afetivo. Por exemplo, Bennett Reimer vê o estético, o artístico e o intrínseco como permutáveis (Reimer 1989, p. 13), enquanto Peter Abbs vê a experiência estética como aqueles encontros que são altamente memoráveis ou irresistivelmente afetivos. Se levarmos em conta a visão de que existe uma espécie particular de experiência chamada de estética, então estaremos, provavelmente, colocando todas as artes juntas nessa categoria geral. É assim para Peter Abbs, que defende a ideia de “uma comunidade genérica” das artes. A comunidade estética possui três características que a distinguem de outras áreas da atividade humana, segundo Abbs (1994, p. 92):

1.      Todas as artes “criam formas expressivas de vida”.
2.     Todos os seus significados “dependem sobretudo de suas construções formais e não podem ser extraídos ou traduzidos sem uma perda significativa.”
3.      Requerem “não uma resposta crítica, mas uma resposta estética – uma resposta por meio dos sentimentos, dos sentidos e da imaginação". (2003, p. 19)

GRANDES COMPOSITORES 



BACH
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) – Compositor alemão nascido em Eisenach, numa família de músicos, Bach dedicou-se a vida toda a atividades musicais – como compositor, professor e instrumentista – e é considerado um dos mais virtuoses do órgão que se conhece e um mestre na arte do contraponto. Músico de inspiração religiosa e de estilo principalmente barroco, Bach escreveu músicas, oratórios, cantatas e paixões, música para órgão e cravo – seus instrumentos favoritos – e música orquestral. (105)

BEETHOVEN
Ludwig van Beethoven (1779 – 1827) – Compositor alemão – talvez o maior compositor de todos os tempos – cuja obra representa uma espécie de transição entre os moldes clássicos do século XVIII e o romantismo do século XIX. Sua obra pode ser subdividida em três fases. Na primeira, desenvolveu várias músicas semelhantes às de seus antecessores. Na terceira, já completamente surdo, cria uma música interiorizada, abstrata, quase mística. (p. 113)

TCHAIKOVSKY
Piotr Ilitch Tchaikovsky (1840 – 1893) – Compositor russo de música romântica. Seu trabalho assimilou elementos da música ocidental e aspectos da tradição folclórica russa. Sua obra revela o caráter emotivo, temperamental e periodicamente depressivo, chegando por vezes a um sentimentalismo melancólico. Admirada por alguns, desprezada por outros, pode-se dizer que sua obra é desigual, pois a ela falta uma linha mestra definida. Escreveu sinfonias, concertos, música instrumental e música de dança – a mais conhecida é o balé “O Quebra-nozes”. (p. 112)

STRAVINSKY
Igor Feodorovitch Stravinsky (1882 – 1971) – Compositor russo, posteriormente naturalizado norte-americano, que revolucionou as concepções musicais do Ocidente. A obra desse pianista, regente e compositor se caracteriza pela disposição não emocional, arromântica, pela valorização do ritmo como elemento vital, pela objetividade, pelo emprego de dissonâncias e pela ampliação das concepções tonais. Escreveu óperas, concertos, sinfonias, músicas para balé e música instrumental. (p. 111)
PROKOFIEV
Sergei Sergeivitch Prokofiev (1891 – 1953) – Compositor russo muito versátil e pianista brilhante, cuja obra é marcada pela originalidade e pela fantasia. Sua música, considerada de vanguarda, caracteriza-se por um lirismo tipicamente russo, pelo humor satírico e pelo dinamismo exaltado. Existem controvérsias quanto ao mérito de suas últimas composições, escritas segundo os ditames da Rússia soviética. Compôs música dramática, orquestral, de câmara, vocal e para piano. (p. 100)
MOZART
Wolfgang Amadeus Mozart (1756 – 1791) foi um prolífico e influente compositor austríaco do período clássico que mostrou uma habilidade musical prodigiosa desde sua infância. Já competente nos instrumentos de teclado e violino, começou a compor aos cinco anos de idade. Foi autor de mais de seiscentas obras, muitas delas referenciais na música sinfônica, concertante, operística coral e pianística.
CHOPIN
Frédéric Chopin (1810 – 1848) foi um compositor polaco radicado na França. Toda sua obra inclui o piano como instrumento central. Sua música é tecnicamente exigente, mas seu estilo, no geral, enfatiza mais a dança e a profundidade expressiva do que o virtuosismo técnico. Ele inovou com novas formas musicais, como a balada, e introduziu significantes inovações nas formas existentes, como a piano sonata, a valsa, o noturno, o estudo, o improviso e o prelúdio. Alguns citam suas obras como "os principais pilares" do Romantismo na música erudita do século XIX.
VIVALDI
Antonio Lucio Vivaldi (1678 – 1741) foi um grande compositor e músico italiano do estilo Barroco tardio. Era um sacerdote católico e compôs 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas. É sobretudo conhecido popularmente como autor da série de concertos para violino e orquestra Le quattro stagioni ("As Quatro Estações").
JEANDOT, Nicole. Explorando o universo da música. São Paulo: Scipione, 1997.

GRANDES MÚSICOS BRASILEIROS 

     

José Maurício Nunes Garcia (1767 – 1830)
     

Francisca Edwiges Neves Gonzaga (Chiquinha Gonzaga – 1847 – 1935)
     

Carlos Gomes (1836 – 1896)


Heitor Villa-Lobos (1887 – 1959)

     Alfredo da Rocha Vianna Filho (Pixinguinha – 1898 – 1974)
Luiz Gonzaga do Nascimento (Luiz Gonzaga – 1912 – 1989)
     


Dorival Caymmi (1914 – 19??)
     

Caetano Veloso (1942)
     

Gilberto Gil (1942)

HOMENAGEM A VINICIUS DE MORAES




Vinícius de Moraes, nascido Marcus Vinicius de Moraes (1913 – 1980) foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta, compositor brasileiro. Poeta essencialmente lírico, notabilizou-se pela produção de sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, era também conhecido por ser um grande conquistador. O poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida. No campo musical, Vinicius de Moraes teve como principais parceiros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.


BOSSA NOVA

Durante a década de 50, o Brasil vivia a euforia do crescimento econômico gerado após a Segunda Guerra Mundial. Com base na onda de otimismo dos “Anos Dourados”, um grupo de jovens músicos e compositores da classe média alta do Rio de Janeiro começou a buscar algo realmente novo, e que fosse capaz de fugir do estilo operístico que dominava a música brasileira. Estes artistas acreditavam que o Brasil poderia influenciar o mundo com sua cultura, por isso o novo movimento visava a internacionalização da música brasileira.

Para a maioria dos críticos, a Bossa Nova se iniciou oficialmente em 1958, com um compacto simples do violonista baiano João Gilberto. Um ano depois, o músico lançou seu primeiro LP, “Chega de saudade”, que marcou definitivamente a presença do estilo musical no cenário brasileiro. Grande parte das músicas do LP era proveniente da parceria entre Tom Jobim e Vinícius de Moraes. A dupla compôs “Garota de Ipanema”, que é, sem dúvida, uma das mais importantes canções da história da música brasileira. Para se ter uma ideia, a mesma foi considerada em 2005, pela Biblioteca do Congresso norte-americano, como uma das 50 grandes obras musicais da humanidade.

A Bossa Nova foi consagrada internacionalmente no ano de 1962, em um histórico concerto no Carnegie Hall de Nova Iorque, no qual participaram Tom Jobim, João Gilberto, Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Luiz Bonfá, Carlos Lyra, entre outros artistas.

A Bossa Nova tem como características principais o desenvolvimento do canto-falado, ao invés da valorização da “grande voz”, e a marcante influência do jazz norte-americano. Esta influência, inclusive, foi criticada posteriormente por alguns artistas. Em meados da década de 1960, um grupo formado por Marcos Valle, Dori Caymmi, Edu Lobo e Francis Hime procurou reaproximar a Bossa Nova ao samba, ao baião e ao xote nordestino.

Com as mudanças políticas causadas pelo Golpe Militar de 1964, as canções começaram a trazer temas sociais. Desta forma, a música se transformou em um claro instrumento de contestação política da classe média carioca, um símbolo de resistência à repressão instaurada pela ditadura. Era o início da MPB, a moderna música popular brasileira. De fato, o movimento que originou a Bossa Nova se findou em 1966, entretanto, seu fim cronológico não significou a extinção estética do estilo musical, o qual serviu de referência para inúmeras gerações de artistas.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

ELSA & FRED COM ANITA & MARCELLO: UM REENCONTRO NA FONTANA DI TREVI


CARDOSO, Cícero Émerson do Nascimento. Elsa e Fred com Anita e Marcello: um reencontro na Fontana de Trevi. Revista Sétima de Cinema, n. 06, p. 06 - 07, out. 2013. 

Da primeira vez que assisti ao filme “Elsa & Fred” (2007), de Marcos Carnevale, foi impossível não desejar conhecer também “A doce vida” (1960), de Fellini.
            Um homem solitário, previsível, hipocondríaco, abalado pela morte recente da esposa, e sob “cuidados” de uma filha controladora, muda-se para um prédio em que se torna vizinho de uma mulher: expansiva, imprevisível, mentirosa, caloteira, aventureira e, sobretudo, que sabe viver. Por serem idosos, ambos poderiam se deixar prender pelas rédeas da idade que parecia querer tolhê-los, no entanto Elsa (China Zorrilla) despreza qualquer limitação e alimenta um sonho: viver a cena antológica do filme “A doce vida” protagonizada por Anita Ekberg e Marcello Mastroiani na “Fontana di Trevi”.
            No clássico de Fellini, Anita Ekberg dá vida a Sylvia, uma das três mulheres que povoam a vida do jornalista Marcello Rubini – vivido por Marcello Mastroiani. Sylvia é uma estrela hollywoodiana que ostenta beleza e vivacidade e, numa das cenas mais belas do filme, bem como do cinema universal, Sylvia entra na “Fontana di Trevi” (que para os italianos é o símbolo da vida e da beleza) e convida Marcello Rubini a acompanhá-la em sua aventura erótica, ao que ele obedece.
            E por falar em erotismo, o filme “Elsa e Fred”, de modo sutil, e não menos singelo, também discorre sobre a externação do erotismo vivido pelas personagens evocas no título. Refiro-me não ao erotismo como este tem sido propagado pelo senso comum, mas pelo erotismo conforme nos apresenta Bataille (1987) que, ao discorrer sobre o assunto, propõe três concepções a esse respeito (erotismo dos corpos, erotismo dos corações e erotismo sagrado) de modo que a concepção que nos possibilita pensar a relação do par romântico do filme “Elsa e Fred” é o erotismo, sobretudo, dos corações. A esse respeito Bataille (ibidem, p. 15) afirma:
O erotismo dos corpos tem de qualquer maneira algo de pesado, sinistro. Ele guarda a descontinuidade individual, e isto é sempre um pouco no sentido de um egoísmo cínico. O erotismo dos corações é mais livre. Ele se separa, na aparência, da materialidade do erotismo dos corpos, mas dele procede, não passando, com frequência, de um seu aspecto estabilizado pela afeição dos amantes.

Elsa, dada a uma concepção de mundo em que idealizações são possíveis, vivencia finalmente – após envolver Fred em suas fantasias – seu grande sonho. A cena da “Fontana di Trevi”, em “Elsa e Fred”, é recriada de modo lírico e erótico – um “erotismo dos corações”, ressalto. Some-se à cena o fato de que Fred (Manuel Alexandre) resolveu realizar o sonho de sua amada porque ela (embora ela escondesse) poderia morrer em breve em decorrência de sérios problemas de saúde.
            Em “A doce vida” Sylvia é delicada, cativante, jovial e entrega-se ao amor com devoção: deleitar os prazeres da vida era sua prerrogativa existencial. Elsa, por sua vez, identifica-se profundamente com a personagem – embora não seja tão idealizada assim – e deseja tornar-se Sylvia, mesmo que por alguns segundos.  
            A relação entre as obras em destaque parece centrar-se no fato de que há uma bem-sucedida releitura de uma cena específica. Porém, sobretudo se considerarmos os temas abordados em ambas as obras, perceberemos inúmeros elementos que poderiam ampliar nossa percepção a este respeito. 
            Elsa e Sylvia buscam veementemente o prazer e ambas lidam com homens cuja vida, em vários aspectos, denota uma propensão à decadência: Marcello é um escritor frustrado que realiza pequenas reportagens e que assume, por vezes, papel passivo ante as mulheres com as quais viveu casos amorosos e que demonstra certa insegurança diante dos conflitos que o cercam; Fred, por sua vez, é um aposentado hipocondríaco que passou a vida cumprindo regras no trabalho e sendo fiel à vida conjugal e, diante da impulsividade de Elsa, termina por se deixar guiar pelas ideias da pretendente que lhe pareciam absurdas.
            “A doce vida” é um filme amargo, de personagens perdidas em desilusões, angústias e que vivem lacunas relacionais em decorrência, por vezes, da falha de comunicação. Em “Elsa e Fred” é possível perceber uma atmosfera que também se configura como angustiante, no entanto a impulsividade da personagem feminina evocada no título, sua força e propensão à vida ultrapassa essa aparente angústia e todas as personagens terminam por se deixar envolver, direta ou indiretamente, pelas tentativas de “solução” que Elsa – embusteira e nada ortodoxa – propõe.
            Muitos outros elementos poderiam ser apontados nesta perspectiva de ver as obras em destaque pelo viés da comparação. Vale ressaltar que elas discorrem sobre a vida que, para o ser humano, precisa sempre ser dotada de algum sentido: na obra de Fellini encontramos as tensões de uma Roma moderna, mas decadente e, consequentemente, marcada pelos desencontros e pela insubmissa marca da morte; na obra de Carnevale a morte existe, até exageradamente, mas esta não parece, em suma, representar um impedimento para que a vida seja possível de ser deleitada no sentido mais profundo do termo, como nos propõe o trecho da letra da música tema do filme:

HOY PUEDE SER UN GRAN DÍA

Hoy puede ser un gran día
Imposible de recuperar,
Um ejemplar único,
No lo dejes escapar.

Que todo cuanto te rodea
Lo han puesto para ti.
No lo mires desde la ventana
Y siéntate al festín.

Pelea por lo que quieres
Y no desesperes
Si algo no anda bien.
Hoy puede ser un gran día
Y mañana también.

(Joan Manuel Serrat)

REFERÊNCIA:

BATAILLE, George. O erotismo. Trad. Antônio Carlos Viana. Porto Alegre: L&PM, 1987. 




BREVE COMENTÁRIO SOBRE GÊNEROS TEXTUAIS


1 – EM BUSCA DE UM CONCEITO:

            Ao discorrer sobre o conceito de Gênero Textual, Marcuschi afirma (2002, p. 02) que:

É impossível se comunicar verbalmente a não ser por algum gênero, assim como é impossível se comunicar verbalmente a não ser por algum texto. Em outros termos, partimos da ideia de que a comunicação verbal só é possível por algum gênero textual. Essa posição, defendida por Bakhtin (1997) e por Bronckart (1999) é adotada pela maioria dos autores que tratam a língua em seus aspectos discursivos e enunciativos, e não em suas peculiaridades formais. Esta visão segue uma noção de língua como atividade social, histórica e cognitiva.

Nesta perspectiva, na linha do que Bronckart (1999), Biber (1988) e Adam (1990) concebem como Gênero Textual, Marcuschi (2002) o define e o diferencia de Tipologia Textual da seguinte forma:

1 – Usamos a expressão tipo textual para designar uma espécie de construção teórica definida pela natureza linguística de sua composição {aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas}. Em geral, os tipos textuais abrangem cerca de meia dúzia de categorias conhecidas como: narração, argumentação, exposição, descrição, injunção.

2 – Usamos a expressão gêneros textuais como uma noção propositalmente vaga para referir os textos materializados que encontramos em nossa vida diária e que apresentam características sociocomunicativas definidas por conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição característica. Se os tipos textuais são apenas meia dúzia, os gêneros são inúmeros. Alguns exemplos de gêneros textuais seriam: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoors, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais e assim por diante.

2 – CRIANDO UM QUADRO SINTÉTICO:

2 . 1 – TIPOS TEXTUAIS:

1 – construtos teóricos definidos por propriedades linguísticas intrínsecas;
2 – constituem sequências linguísticas ou sequências de enunciados e não são textos empíricos;
3 – sua nomeação abrange um conjunto limitado de categorias teóricas determinadas por aspectos lexicais, sintáticos, relações lógicas, tempo verbal;
4 – designações teóricas dos tipos: narração, argumentação, descrição, injunção e exposição.

2. 2 – GÊNEROS TEXTUAIS:

1 – realizações linguísticas concretas definidas por propriedades sociocomunicativas;
2 – constituem textos empiricamente realizados cumprindo funções em situações comunicativas;
3 – sua nomeação abrange um conjunto aberto e praticamente limitado de designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo, composição, função;
4 – exemplo de gêneros: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso, outdoors, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, conferência, carta eletrônica, bate-papo por computador, aulas virtuais...

3 – PARA MEMORIZAR



TIPOS TEXTUAIS

NARRAÇÃO                                                                                            EXPOSIÇÃO

                DESCRIÇÃO              ARGUMENTAÇÃO          INJUNÇÃO



GÊNEROS TEXTUAIS

TELEFONEMA

CARTA PESSOAL

ROMANCE

CONTO

BLOG

BILHETE

LISTA TELEFÔNICA...



APENAS UM RESUMO DO TEXTO QUE PODE SER CONFERIDO PARA ESTUDO MAIS APURADO:

MARCUSCHI, L. A. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. In: Dionísio, A. et all. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. Disponível em: http://www.slideshare.net/WilBil/marcuschi-gneros-textuais-9302596. Acesso em: 01 de nov. de 2013.