PARTES
DE UMA
RESENHA
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MODELO
DE
RESENHA
CRÍTICA
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Título da resenha
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Da tevê para as telas de cinema
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Autor da resenha
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Celso Sabadin
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Apresentação da
obra: informações básicas sobre o filme: título, produção, direção, gênero...
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Assim como já
havia acontecido com Os normais, agora é a vez de a Globo Filmes produzir A grande família – O filme, baseado no
seriado de sucesso, visando principalmente levar para o cinema o público
acostumado com a televisão.
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Resumo: apenas
fatos essenciais, sem apresentar o “final da história”. Os nomes dos atores
que interpretam as personagens aparecem entre parênteses.
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A comédia
mostra como Lineu (Marco Nanini) e Nenê (Marieta Severo) se apaixonaram num
baile. Muitos anos depois, já casados, Lineu descobre que deve prestar
atenção ao seu estilo de vida por causa de um problema de saúde. No entanto,
suas novas atitudes causam confusões gerais. Para piorar, Carlinhos (Paulo
Betti), com quem Lineu disputava o amor de Nenê na juventude, está de volta.
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A que tipo de
público o filme vai agradar ou não. Observe que a opinião do autor
transparece no uso de adjetivos, advérbios e outras expressões que expressam
juízos de valor.
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O humor rápido, rasteiro e bem interpretado
por um elenco experiente faz do
filme uma opção sem muitos riscos
para as plateias que seguem o seriado na telinha. O mesmo não se pode dizer
em relação ao público de gosto mais
cinematográfico, que não verá na tela grande nada muito diferente do que já foi explorado pela TV.
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Aspectos
positivos e negativos, justificados com que foi observado no filme.
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O grande
mérito do filme é o elenco afinado e o timing
correto. O grande problema é o roteiro, que carrega a pretensão de contar
três vezes a mesma história, sob três pontos de vista diferentes, o que acaba
prejudicando o ritmo cômico.
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Conclusão do
texto. Potencial de sucesso do filme.
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Bem produzido
e com a divertida breguice romântica de Roberto Carlos na trilha sonora, A grande família – O filme tem bom
potencial de sucesso popular.
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sexta-feira, 16 de junho de 2017
COMO FAZER UMA RESENHA CRÍTICA II (MODELO)
COMO FAZER UMA RESENHA CRÍTICA I (CONCEITO)
Gênero textual publicado em jornais, revistas e
sites, tem como principal objetivo apresentar a opinião do crítico sobre um
filme. Algumas resenhas oferecem análise mais aprofundada. Outras apenas uma
rápida análise sobre a obra.
Você deve ter notado que, embora a resenha apresente
a opinião do crítico, o texto é escrito em terceira pessoa. A linguagem varia
entre o formal e o semiformal.
Para
escrever uma resenha, é preciso assistir ao filme com atenção e registrar
alguns dados sobre ele. Segue um roteiro para orientar sua observação e fazer
registros.
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Ficha técnica: título do filme, gênero,
diretor, produtor, ano, país, atores etc.;
·
Trama / enredo;
·
Personagens principais: características;
·
Interpretação dos atores;
·
Cenários;
·
Figurino;
·
Trilha sonora;
·
Fotografia (observar como as cores e a
iluminação são usadas no filme);
·
Outros itens que você considerar
importantes, dependendo do filme escolhido.
É
interessante ler outras resenhas. Antes de escrever sua resenha, faça um plano
de texto, no qual você vai decidir que informações serão apresentadas em cada
parágrafo. Ao terminar, faça a revisão do texto. Confira se estão presentes as
seguintes partes textuais:
·
Apresentação do filme;
·
Resumo;
·
Aspectos positivos e negativos;
·
Conclusão (fechamento).
REFERÊNCIA:
ALMEIDA,
Neide Aparecida [et al.] . Linguagens e
culturas: Linguagem e códigos: ensino médio. São Paulo: Global, 2013. p.
237 – 238.
segunda-feira, 5 de junho de 2017
CORA CORALINA
MUTAÇÕES
Muita rua da cidade
mudou de nome.
Ritintin - mudou de nome.
Chafariz - mudou de nome.
Rua Nova - mudou de nome.
Detraz da Abadia também.
Beco virou travessa.
Outras, nem nome têm.
Rua do Fogo se apagou,
nas vielas não se toca.
Beco da Morte é pecado.
Do Cotovelo é suspeito.
Rua Joaquim Rodrigues
virou 13 de maio,
passou pra Joaquim de Bastos.
Não sei onde vai parar
tanta mudança de nome.
Mudar nome de rua é fácil.
Mudar jeito de rua, não.
Dar calçamento e limpeza
é coisa muito impossível.
Só não mudou nome em Goiás
o Beco da Vila Rica.
Por ser muito pobre e sujo
contrário lhe assenta o nome.
Se há de ser beco do sujo pobre
seja mesmo da Vila Rica
com toda sua pobreza.
PEDRAS
Os morros cantam para meus
sentidos
a música dos vegetais
que se movem ao vento.
As pedras imóveis me enviam
uma bênção ancestral.
Debaixo de minha janela
se estende a pedra-mãe.
Que mãos calejadas
e imensas mãos sofridas de
escravos
a teriam posto ali,
para sempre?
Pedras sagradas da minha cidade,
nossa íntima comunicação.
Lavada pelas chuvas,
queimada pelo sol,
bela laje velhíssima e morena.
Eu a desejaria sobre meu túmulo
e no silêncio da morte,
você, uma pedra viva, e eu,
teríamos uma fala
do começo das eras.
MINHA
CIDADE
Goiás, minha cidade...
Eu sou aquela amorosa
de tuas ruas estreitas,
curtas,
indecisas,
entrando,
saindo
uma das outras.
Eu sou aquela menina feia da
ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.
Eu sou aquela mulher
que ficou velha,
esquecida,
nos teus larguinhos e nos teus
becos tristes,
contando estórias,
fazendo adivinhação.
Cantando teu passado.
Cantando teu futuro.
Eu vivo nas tuas igrejas
e sobrados
e telhados
e paredes.
Eu sou aquele teu velho muro
verde de avencas
onde se debruça
um antigo jasmineiro,
cheiroso
na ruinha pobre e suja.
Eu sou estas casas
encostadas
cochichando umas com as outras,
Eu sou a ramada
dessas árvores,
sem nome e sem valia,
sem flores e sem frutos,
de que gostam
a gente cansada e os pássaros
vadios.
Eu sou o caule
dessas trepadeiras sem classe,
nascidas na frincha das pedras
Bravias.
Renitentes.
Indomáveis.
Cortadas.
Maltratadas.
Pisadas.
E renascendo.
Eu sou a dureza desses morros,
revestidos,
enflorados,
lascados a machado,
lanhados, lacerados.
Queimados pelo fogo.
Pastados.
Calcinados
e renascidos.
Minha vida,
meus sentidos,
minha estética,
todas as vibrações
de minha sensibilidade de mulher,
têm, aqui, suas raízes.
Eu sou a menina feia
da ponte da Lapa.
Eu sou Aninha.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2017
RESENHA: "O MÁGICO DE OZ", DE VICTOR FLEMING
Em
1939, Victor Fleming adaptou para o cinema a obra de L. Frank Baum The wizard of Oz (1900) – no Brasil, O mágico de OZ. A protagonista, Dorothy,
é levada por um tornado para uma terra mágica e, na tentativa de voltar para
seu lar, ela é informada de que precisa encontrar-se com o grande mágico de Oz
na Cidade das Esmeraldas, pois somente assim ela poderia realizar seu
desejo.
Em sua jornada, Dorothy encontra-se com personagens
que, assim como ela, também têm um desejo a realizar: o espantalho busca um
cérebro, o homem de lata busca um coração e o leão covarde busca coragem. Nesta
caminhada, somos apresentados à marcante trilha sonora do filme e a
acontecimentos que nos instigam a refletir sobre temas diversos e que podem nos
comover profundamente.
Indicado a seis Óscar, esse filme venceu nas
categorias Melhor Trilha Sonora e Melhor Canção Original. A canção Over the rainbow é considerada uma das
mais belas do cinema, e tem sido amplamente revisitada em gravações as mais
diversas. Os muitos problemas de produção não afetaram a qualidade desse filme
considerado um dos maiores filmes de todos os tempos. De acordo com a Greatest Movie Musicals, do American Film Institute, que em 2006
apresentou uma lista dos 25 maiores filmes musicais, O mágico de Oz ocupa o terceiro lugar da lista.
Esse filme é
grandioso esteticamente e, sobretudo, pelas reflexões que suscita. Dentre as
frases de efeito marcantes, que localizamos em seus diálogos mais que
criativos, destacamos a que é dita pelo mágico de Oz ao homem de lata, por
ocasião da entrega do coração que este tanto queria: “Um coração não se julga
por quanto você ama, mas por quanto você é amado pelos outros”.
CARDOSO,
Cícero Émerson do Nascimento. Resenha: “O Mágico de Oz”, de Victor Fleming. Sétima Revista de Cinema, n. 39, p. 10,
jan. 2017.
RESENHA: "O PEQUENO PRÍNCIPE", DE STANLEY DONEN
Algumas
pessoas têm resistência a filmes musicais – eu não. Eu gosto muito deles.
Agora, imaginemos um musical adaptado de uma das mais populares obras
literárias do mundo – não tenho como não gostar!
O Pequeno
Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, foi adaptado por
Stanley Donen em 1974. Com canções entre divertidas e líricas, como It’s a hat, Be happy e A snake in the
grass, encontramos nele excelentes canções. Considero que as atuações
merecem elogios, assim como alguns cenários e efeitos especiais. A adaptação
também tem seus valores.
O Príncipe que veio do asteroide B-612, e encontrou-se
no deserto do Saara com um piloto que sofrera um acidente aéreo, foi uma
personagem que me marcou profundamente na infância. Eu me perdia em
pensamentos, quando criança, na tentativa de entender o porquê de o Príncipe
viver no asteroide sozinho, sem pai nem mãe, e andar naquela pequena morada
sem, contudo, cair no espaço para sempre – eu não contava com a astúcia da
gravidade, claro. Era tudo tão mágico para mim!
Eu assisti a essa versão de um dos livros que mais
li na vida quando já era adulto, no entanto foi como se eu voltasse a viver os
sentimentos que eu resguardava em mim quando eu era criança. Foi uma experiência
triste, porém gratificante.
O Pequeno
Príncipe, de Donen, é um clássico. Vale a pena assisti-lo e
reassisti-lo, certamente. Claro que é necessário recorrer à sensibilidade que,
por vezes, perdemos quando a vida adulta já nos impõe que o que era mágico
agora é absurdo, ilógico e impossível. Nesta perspectiva, cabe retomar a já mil
vezes citada frase do livro: “Só se vê bem com o coração. O essencial é
invisível aos olhos”.
CARDOSO,
Cícero Émerson do Nascimento. Resenha: “O Pequeno Príncipe”, de Stanley Donen. Sétima Revista de Cinema, n. 39, p. 09,
jan. 2017.
RESENHA: "O FIM E O PRINCÍPIO", DE EDUARDO COUTINHO
O fim e o princípio
foi o primeiro filme de Eduardo Coutinho que eu assisti. Ele é de 2005 e
apresenta depoimentos colhidos numa comunidade do interior da Paraíba. A
comunidade retratada é o Sítio Araçás, localizado em São João do Rio do Peixe.
A maior parte dos depoimentos é de
pessoas idosas – personagens de um universo austero, mas rico de experiências
existenciais e sabedorias adquiridas pela intensa relação com o sertão e suas
riquezas simples.
Recolhidas em seus anonimatos, essas personagens do
mundo real, tão encontráveis no sertão nordestino, discorrem sobre suas
histórias familiares, crenças, experiências de trabalho, alegrias e sofrimentos
diários. Sem um roteiro prévio, Coutinho propõe uma abordagem inovadora e
criativa ao construir sua obra a partir das tessituras narrativas apresentadas
pelos moradores de Araçás. Em verdade, o cineasta visita os moradores da
localidade, elabora perguntas aleatórias e registra os depoimentos de modo que
nos sentimos bem próximos deles.
Nesse documentário, somos apresentados, a cada
visita, à beleza da prosa sertaneja repleta de histórias envolventes. É
instigante observar o registro das idiossincrasias linguísticas e das práticas
culturais que marcam a vida dessas personalidades. Rezadeiras, parteiras,
agricultores, poetas, pensadores, donas de casas tecem, com suas narrativas,
uma colcha de retalhos alinhavada com as cores da vida em suas amplas
potencialidades.
Para mim, é impossível assistir a esse filme sem me
comover profundamente. Em alguns momentos, a câmera apresenta em close o olhar
dos entrevistados e isto, definitivamente, dá-nos a sensação de que podemos
mergulhar no universo dessas personalidades e, assim, apreendermos delas as
mais densas sensações.
CARDOSO,
Cícero Émerson do Nascimento. Resenha: “O Fim e o Princípio”, de Eduardo
Coutinho. Sétima Revista de Cinema, n.
39, p. 04, jan. 2017.
RESENHA: "O FILHO DE SAUL", DE LÁSZLÓ NEMES
Sófocles
legou ao Ocidente, com a personagem Antígona, que tenta sepultar seu irmão
Polinice independentemente da oposição de Creonte, um dos maiores modelos de
abnegação, persistência e devoção fraterna de todos os tempos.
Enquanto na tragédia grega Antígona defende seu ethos familiar, e paga um alto preço por
isto, no filme O Filho de Saul (2015),
longa de estreia do diretor húngaro László Nemes, deparamo-nos com um pai que
tenta, a todo custo, preparar o corpo do filho para o sepultamento.
Este filme apresenta uma abordagem inovadora para a
temática do holocausto – tema muito explorado, mas inesgotável em suas
possibilidades de análise e reflexão sobre a condição humana. László Nemes
posiciona a câmera na maior parte do tempo às costas de Saul – interpretado
pelo ator húngaro Géza Röhrig – e, através deste mecanismo, leva-nos a enxergar
as cenas contundentes do campo de concentração sob o ângulo de visão do
protagonista. Saul, que realiza a função de limpar câmaras de gás no campo de
concentração em que está confinado, tem uma meta: ao encontrar o corpo do filho
entre os de outros judeus decide dar um sepultamento digno a ele.
Para cumprir sua meta, inúmeros empecilhos se impõem
em sua trajetória. Jogos de poder, nos bastidores do campo de concentração, tornam
sua meta uma árdua batalha contra suas próprias limitações e contra o sistema
totalitário que o torna vulnerável, mas que não o impele a arrefecer em sua
missão autoimposta.
Assistir a este filme vencedor do
Grande Prêmio do Festival de Cannes, do Globo de Ouro e do Óscar de Melhor
Filme Estrangeiro, foi uma experiência enriquecedora. Do ponto de vista estético,
o filme excede em lirismo, beleza e acuidade técnica. Do ponto de vista
temático, deparamo-nos com temas como a impotência humana, a perda diante da
morte, a persistência resultante de uma meta que o indivíduo assume para si.
Consideramos que o tema desse filme é, por excelência, a barbárie humana e o
que dela resulta: a coisificação do homem, o poder e sua tendência destruidora
e, sobretudo, a morte e suas consequências nefastas para quem tem que lidar com
o luto.
Ao tentar sepultar o filho, Saul nos
aproxima de um cenário absurdo – o campo de concentração é a barbárie humana em
sua forma concreta, tangível e avassaladora. Somos levados, através do olhar
dessa personagem silenciosa, a percorrer sendas infernais que nos conduzem para
sensações de sufocamento e impotência. O olhar de Saul, no entanto, grita como
na tragédia grita Antígona diante da tirania de Creonte, rei de Tebas:
“Deixa-me, deixa que minha loucura se afunde em horrores. Não padecerei, com
certeza, nada que não seja morrer gloriosamente”.
CARDOSO,
Cícero Émerson do Nascimento. Resenha: “O Filho de Saul”, de László Nemes. Sétima Revista de Cinema, n. 39, p. 17 –
18, jan. 2017.
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