domingo, 2 de agosto de 2020

CRÔNICA: "A DOLORIDA E NECESSÁRIA ARTE DE ESCREVER"


Eu escrevo há séculos. 

Na escola, eu me lembro de que na 3ª série eu escrevi minha primeira redação (como é forte a lembrança que tenho dela!). Era uma narração que a Professora da letra mais bela que já vi e que eu imito até hoje (Tia Elisângela) sugeriu que a escrevêssemos a partir de uma imagem. Eu escolhi uma imagem da Turma da Mônica (eu aprendi a ler com gibis da Turma da Mônica!) com roupas de festa junina. Havia muita inadequação em meu texto infantil, claro, mas me recordo perfeitamente da sensação de bem-estar que o ato de realizar aquele texto me proporcionou. Também lembro da expectativa que tive para saber qual seria a reação da Professora ao ler meu texto (queria o maior e melhor dos elogios e a Professora correspondeu às expectativas, gentil que era!). 

Depois, prossegui sempre a escrever. 

Eu escrevi, sobretudo, diários. Muitos diários, em verdade, mas os três mais relevantes foram escritos durante os anos de 2001, 2002 e 2003, isto é, anos, respectivamente, nos quais eu fiz meu Ensino Médio, Serviço Militar e vestibular para o Curso de Letras, que mudou minha vida. 

Durante o Ensino Médio fiz inúmeras produções textuais (sempre obtive notas significativas). No Serviço Militar, também, fiz uma produção textual para me tornar Monitor (sim, eu me tornei Monitor, a ponto de ser super elogiado pelo texto que escrevi). Quanto ao vestibular para o Curso de Letras (curso da minha vida), eu obtive a nota máxima na redação dissertativo-argumentativa, para minha alegria e orgulho incalculáveis! 

Voltando para os meus três diários, há neles o contexto político da época (sai Fernando Henrique Cardoso e entra Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência), as mudanças que o Brasil vivenciou, a perda de familiares queridos, a primeira vez que usei óculos, a queda das torres gêmeas, uma copa do mundo, a descoberta de sentimentos afetivo-amorosos (com os quais até hoje não sei lidar), a leitura do livro que me fez olhar para o mundo de outra forma (embora tivesse lido muitas obras, sobretudo do Romantismo, li O Quinze e meus olhos se abriram para sempre), ausências familiares, sofrimentos aos arroubos, a relação de proximidade com amigas e amigos que me ficaram na alma para sempre e minha trágica adolescência nada fácil. 

O meu primeiro desejo de escrever um romance me veio antes do Ensino Médio. Lembro que escrevi uma história intitulada Maria dos Anjos (1999), que depois se transformou numa das protagonistas do meu primeiro romance. Antes de pensar em escrevê-lo, eu produzi contos. Foi assim que resolvi juntá-los e transformá-los no romance. Para escrevê-lo, comprei um caderno e fiz tudo em manuscrito. Depois tive que digitalizar e foi nisto que o reescrevi mil vezes. 

Escrever sempre foi algo indispensável em minha vida. 

Começou, creio, na mesma época em que passei a ler. Antes de ler, no entanto, eu fabulava muito. Criava personagens inseridas em enredos nos quais a morte sempre estava em pauta - na infância eu tive contato excessivo com a morte, deve ter sido por isso. 

Eu sempre escrevi e escrevo tanto, meu Deus! Parece uma doença! Se as pessoas soubessem... 

Quanto ao que escrevo, algumas pessoas viram e gostaram, outras não deram muita atenção - devem ter detestado. 

Nessa aventura e desventura: 1) já li texto meu em sala de aula durante a graduação (quando eu era um aluno infantil e inseguro) com direito a aplausos; 2) já vivi a dor de ver um texto de minha autoria ser publicado por outra pessoa que, com esse texto, ganhou um prêmio de contos (causando em mim um dos meus maiores traumas); 3) fui estimulado, por boas amigas, a participar de mostras poéticas que selecionaram textos meus e deram a confiança de que eu precisava para divulgar meus textos, 4) já tenho textos publicados em diversas revistas on-line e impressas, 5) recebi menções honrosas (com direito a recebimento de dinheiro e tudo!) e prêmios; 6) fiz uma performance poética (traumática, devo dizer!); 7) já publiquei livros (para meu arrependimento, claro!) etc. 

Sim, escrevo de tudo: de cordel a soneto, de ode à elegia, de balada a haikai, porque amo escrever poemas em todos os gêneros possíveis. Escrevo, também, fábulas, apólogos, contos, crônicas, memórias, diários, relatos, romances, peças teatrais, trabalhos acadêmicos etc. 

Eu escrevo feito louco, sem conseguir cessar, sem entender por que motivo, sempre e muito. Creio que escrever é um modo de dar sentido à vida, é uma forma de compreender o que sou e sinto. Escrever é a ponte que me leva do desespero à expurgação. Escrever é doer um pouco menos. Escrever é minha vida! 

No que isso vai dar? Pouco me importa! Eu sei que quero e vou continuar escrevendo, é tudo o que me importa! O resto é silêncio - e solidão e ausências! 

Quanto a publicar, meu Deus! Publicar é uma tragédia! Eu sou pobre, não tenho como publicar com os orçamentos que me apresentam. Não sei lidar com as burocracias dos editais e concursos. A verdade é que não sei entrar e enfrentar os jogos que massacram almas no campo literário (refiro-me ao livro As regras da arte, de Bourdieu). Quero paz de espírito e silêncio na alma!  

Quanto a ser lido, o Brasil não tem espaço para amadores! Os clássicos não são lidos, o que os aspirantes ou metidos a escritores iguais a mim poderiam querer? Também há outro problema mais grave: sou de um país que quase não lê, porque não há em nosso cotidiano o hábito da leitura! A Educação atende a um projeto antigo de tornar o trabalhador e a trabalhadora, assim como seus filhos e filhas, incapazes de entender o contexto sôfrego no qual estão inseridos e, por isso, eles são cada vez mais explorados, vilipendiados e tolhidos na possibilidade de acesso à Cultura e à Arte em suas mais amplas manifestações. 

Relendo o texto de Antonio Candido O direito à literatura, recentemente, penso que não estou sozinho ao pensar por esse viés. Além disso, devo dizer que vivo essa realidade na prática: sou Professor. Instigo os estudantes à leitura sempre, no entanto sabemos que é desafiador desenvolver esse tipo de trabalho sem o apoio do "mundo" (quando digo o "mundo", eu me refiro às seguintes instituições e seres: ministério da educação, secretaria de educação, coordenadorias educacionais, diretores escolares, coordenadores pedagógicos, pais de alunos, sociedade, mídia etc.).   

E se me fosse tirado o direito de escrever? Não sei, mas... Creio que eu enlouqueceria. Digo isto, com sinceridade, porque o que organiza minha mente tumultuada é o ato de escrever. Sem a escrita eu entraria em tamanha desorganização da alma que me tornaria louco em pouco tempo. 

Enfim, a dolorida e necessária arte de escrever é o que me salva neste vale de lágrimas! 

Émerson Cardoso

11/08/2020



QUANDO A QUARENTENA AUMENTA A LOUCURA NOSSA JÁ EXISTENTE


Se eu pudesse fabular sobre como seria o meu post mortem, eu iria para o Céu, claro. Eu seria conduzido até lá sem dor - obviamente que morreria dormindo ou sob efeito de anestesia geral. Ao deslocar-me ao Céu, sentiria apenas leveza e paz. 

Se eu pudesse fabular sobre como seria o Céu, eu chegaria com alegria imensa a um lugar tão cheio de paz e luz que o identificaria imediatamente como o Paraíso no qual Deus me aguardaria. À porta do Céu, esperando-me, estariam anjos tocando e cantando Rain and tears (é a canção em língua inglesa que mais amo nesta vida). Eu iria chorar sem problema algum - na Terra fui incapaz de chorar diante de pessoas, mas livre de mim mesmo, e de todas as amarras, eu choraria sem conflitos. 

Após a canção ser tocada, eu entraria acompanhado por um anjo que me apresentaria a São Pedro, o Porteiro do Céu, que me daria algumas instruções: "Aqui, finalmente, não te sentirás mais abandonado ou deslocado ou exilado como te sentiste enquanto estavas na Terra! Podes entrar!"

Mercedes Sosa estava cantando Cuando tengo la tierra, ao lado de alguns grandes cantores e cantoras da América Latina, apenas para recordar o quanto a luta por um espaço na Terra era um desafio para nós pobres. E ela riu para mim, com o olhar intenso, dizendo que estava grata por eu tê-la amado tanto! 

Edith Piaf, agora ridente, esperava-me logo à frente para me dar um abraço! Encontrar Mercedes Sosa e Edith Piaf em questão de minutos no Céu me deixou enlevado. À frente, também com desejos de abraço, Demis Roussos, que me possibilitou a canção que me foi tocada pelos anjos por ocasião de minha entrada, sorriu para mim. Três almas grandiosas me receberam em minha chegada, Deus, eu merecia tanto?

Foi quando ouvi alguém gritar meu nome...

Minha avó paterna, D. Fransquinha, e minha bisavó materna, D. Maria Raquel, estavam sentadas, juntas, esperando por mim em um banco iluminado que ficava em um jardim próximo a um regato. Quanto verde e quanta diversidade de cores nas flores e rosas que por ali pairavam! Ao encontrá-las, foi imenso o abraço! Ficamos horas conversando sobre os familiares que ficaram na Terra, e como eles lidaram com a ausência delas. 

Enquanto conversávamos, Luiz Gonzaga, numa das melhores interpretações da vida, começou a cantar Asa Branca para comemorar meu encontro com minha avó e minha bisavó. As notas dançavam em nosso derredor e as flores riam. Pedi a Luiz Gonzaga, após abraçá-lo, que cantasse e tocasse A triste partida. Ele me atendeu em meu pedido - o Nordeste, que tanto me moldou como ser humano, me veio inteiro em sua capacidade criadora e resistente! 

Minhas avós me conduziram, depois, para um prédio no qual eu deveria entrar sozinho. Elas disseram que nos reencontraríamos em breve. Assim que entrei, vi que estavam sentados, com luzimentos indescritíveis, Santa Clara, São Francisco e Santo Antônio. Eles contavam histórias para um grupo de crianças e jovens. No grupo, vi Danúbia, minha prima que se foi tão jovem, muito envolvida com a história contada pelo Santo. Ela trazia nos cabelos estrelas reluzentes. Aproximei-me dela com timidez e a abracei. São Francisco, sorrindo com uma pureza impossível de imitação, percebeu-me logo. Ele levantou-se e abraçou-me: "Não queria tanto me conhecer, hein! O prazer é todo meu!" Santa Clara e Santo Antônio me abraçaram também! Fiquei suspenso no ar tamanha foi a alegria. 

Uma voz me chamou, polidamente, e São Francisco me orientou a segui-la. Era Santa Luzia que, com Santa Tereza D'Ávila e Santa Teresinha do Menino Jesus, queria me apresentar a Biblioteca Celeste. Mais abraços amorosos e pacificadores me foram dados por elas. Em seguida, feliz, andei pela Biblioteca. São João da Cruz declamava um poema - participava de um sarau com povos de todas as culturas que se preparavam para também declamarem seus respectivos poemas. O próximo seria São Benedito a quem, com discrição, para não atrapalhar o sarau, abracei amavelmente! Quando um poema está a ser declamado não se pode atrapalhar!

Decidi andar um pouco mais pela Biblioteca. Foi quando vi Miguel de Cervantes, Federico García Lorca e Gabriel García Marquez rindo de alguma anedota, sentados em almofadas coloridas. Quando me viram, levantaram-se, abraçaram-me e conduziram-me para uma sala. Lorca me disse: "Há umas figuras ali que esperam por ti!" Corri, curioso, para ver quem me esperava.  

Carolina Maria de Jesus recebeu-me à porta e, rindo, deu-me imenso abraço. Com ela, Antônio Callado, Clarice Lispector, Rachel de Queiroz, Machado de Assis, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Júlia Lopes de Almeida, Osman Lins, Lima Barreto, Manuel Bandeira, Ariano Suassuna, Orides Fontela, Guimarães Rosa, Hilda Hilst, Graciliano Ramos, Francisca Júlia, dentre outros e outras, estavam tomando chá. Eu amo chá e, curiosamente, todos sabiam disso. Havia uma xícara plena, para mim, e uma cadeira pronta para que eu me reunisse ao grupo. Conversamos durante horas, meses ou anos. O tempo conforme o conhecemos na Terra não funciona como no meu Céu.

Gustave Flaubert, depois, apareceu à porta e convidou-me a ir com ele para uma outra sala. Pedi licença aos meus compatriotas e saí. Ele me abraçou com barulho e levou-me a um sarau. Nele, Voltaire, Slvia Plath, Marguerite Yourcenar, Victor Hugo, Emile Zola, Virgínia Woolf, Guy de Maupassant, Emily Dickinson, Honoré de Balzac, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Violette Leduc, Katherine Mansfield, Emily Brontë, Jane Austen, William Shakespeare, dentre outros e outras, esperavam-me com crepes crocantes que eram servidos com uma boa quantidade de tomates regados a azeite e salpicados com orégano. Comi fartamente. Permaneci por horas, meses ou anos naquele espaço.

Depois, Salvador Dalí apareceu à porta e convidou-me para a sala de exposições. Ele e Gustave Doré apresentavam as imagens que desenvolveram sobre A Divina Comédia, de Dante. Dante, diga-se de passagem, fez questão de aparecer para me cumprimentar. Eu não consegui acreditar que seria possível, um dia, ver aquele ser capaz de construir algo tão perfeito querendo, de mim, um cumprimento! Abracei-o com desespero. Homero, Virgílio e Camões conversavam à frente e, rindo-se, também abriram os braços para um abraço fraterno!

Na saída, esperava-me Frida Kahlo. Ela me deu um abraço intenso, sugeriu que, na Bibiloteca, havia cinema de todas as nacionalidades, exposições diversas, concertos maravilhosos, peças teatrais grandiosas e uma sala-quarto só minha. Nela, estariam todos os livros que eu li e amei, e todos os livros que eu desejei ler e não pude ainda. Também estariam lá pinturas, obras cinematográficas, esculturas, músicas etc. Tudo o que faz pulsar meu coração estaria à minha espera. Ela disse, ainda, que eu deveria ficar tranquilo, porque as pessoas que eu mais amei ao longo da existência iriam me encontrar ali, sempre que eu quisesse, e eu também poderia visitar a sala-quarto das pessoas que me amavam quando me fosse feito o convite. Eu lhe perguntei, um tanto tímido, se no Céu a gente poderia encontrar o grande amor da vida. Ela ficou confusa e fez a seguinte pergunta: "Mas o amor da sua vida está na Terra, querido, vocês não se encontraram?" Silenciei. Ela se despediu com um bom álibi: iria para uma roda de conversas com Florbela Espanca, Agustina Bessa-Luís e Sophia de Mello Breyner. Eu estava convidado, caso quissesse ir.

Decidi ficar e sentar numa poltrona de belo designer que encontrei ao lado da cama. De repente, a canção Why worry deslizou na atmosfera. Posteriormente, Don't let me be misunderstood, na voz de Nina Simone, ecoou. Fiquei feliz e comovido. Havia muita coisa a fazer, muita arte e cultura a viver, mas me faltava algo. Uma voz me chamou à porta: era Santa Dulce dos pobres. Corri para abraçá-la. "Meu filho, você viu como a Biblioteca é maravilhosa? Aqui você será eternamente feliz! Antes de viver o que tanto deseja seu coração, no entanto, falta algo, não é!" Ela deve ter intuído, de algum modo, o que eu havia pensado. Saímos de mãos dadas: ela cheirando a rosas, e iluminando todos os espaços pelos quais passávamos, e eu expectante.

Já fora da Biblioteca, passamos por Maysa, Maria Callas, Dalva de Oliveira, Nina Simone, Ângela Maria, Miriam Makeba, Emilinha Borba, Cesária Évora, Carmem Miranda, Dolores Duran, Núbia Lafayete, Ella Fitzgerald, Dalida, Elis Regina, Nara Leão, Clara Nunes, dentre outras, que faziam apresentações com suas canções mais famosas. Quase cessei a marcha para ouvi-las, mas Santa Dulce me aconselhou que eu poderia voltar em outro momento, pois elas reuniam-se para cantar com frequência.

Seguindo Santa Dulce, percebi que ela cessou os passos maravilhada. Foi quando vimos, sentado perto de um riacho, revestido de luz, o ser que parecia me faltar. Era Jesus Cristo! Santa Dulce olhou para mim, apertando-me a mão, e disse: "Prepara-te, menino, agora a vida será preenchida tão completamente que tu não terás mais ausências no coração machucado que trazes da nossa sofrida Terra!" Jesus olhou-me com tanta singeleza, antes que se abrisse a um abraço enternecedor, e acolheu-me com amabilidade infinita. Seus negros braços, finalmente, alcançaram meu corpo ferido. E a vida fez-se plenitude e a paz sorriu para mim. Ao abraçá-lo, senti que três abraços, em um só, me revestiam da mais completa felicidade! Eu renasci!

Depois, Jesus segurou minha mão e convidou-me a ler as obras dos autores e das autoras brasileiras da contemporaneidade. Com um grupo irreverente, debatemos por três séculos peças teatrais, poemas e narrativas que o Brasil tem produzido nos últimos tempos. Fomos lendo os textos em forma de sarau. Dercy Gonçalves quase me matou de rir, com seu humor escrachado, quando decidiu fazer algumas leituras! Elke Maravilha, com riso eterno, declamou divinamente alguns poemas! Eva Todor declamou textos com seu riso e carisma insuperáveis! Depois, com o sarau finalizado, voltei com Santa Dulce para a minha sala-quarto.

A minha sala-quarto foi construída com inúmeras poltronas para os amigos. Em uma das paredes, com molduras prateadas, foram colocadas todas as fotos de minhas professoras e professores mais marcantes. Eu recebi visitas maravilhosas em minha eternidade, mas como o texto que escrevo já está longo demais, vou concluindo. Vou deitar na minha cama, sozinho, para ler um pouco. Depois da leitura, receberei meus escritores e escritoras e compositores e compositoras e cineastas e atores e atrizes preferidos. Quando saírem, receberei meus amigos e amigas e familiares tão queridos. Quando saírem, receberei os Santos e Santas de minha predileção. Posteriormente, assistirei bons filmes. Farei toda essa quantidade imensa, e perfeita, de coisas enquanto espero que o amor da minha vida, que anda pela Terra sem mim desde que nascemos (como Frida Kahlo me revelou), me chegue para que eu possa amar, também, nesta perspectiva do amor erótico. Como nunca soube lidar com isso estando na Terra, por isso terminei me acostumando com a solidão, quem sabe se no Céu eu não conseguiria  repensar meus modos e me permitir um pouco a esse tipo de amor! A culpa, no entanto, não foi minha: e eu lá sabia que no mundo havia alguém capaz de me amar e de merecer o meu amor!

Mas bateram na porta, agora, e meu sonho acordado desvaneceu.

Émerson Cardoso
22/06/2020

E QUANDO A GENTE CANSA? (OU: COMO MANTER A SANIDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA?)


No dia em que publico este texto, já morreram 94.130 pessoas no Brasil. São muitas histórias que foram cessadas nesta pandemia. O que assusta, mais do que tudo, é o fato de que a maioria dessas mortes poderia ser evitada se tivéssemos um contexto político mais digno. As mortes têm ocorrido, sobretudo, porque não dispomos da sensibilidade política necessária para revertermos esse quadro trágico. Temos contado, obviamente, com algumas lideranças políticas que tomaram atitudes no sentido de minimizar o efeito devastador desse vírus sobre os brasileiros - é o que nos serve de alento -, mas ainda é pouco. Quero erradicação do vírus, quero a cura, quero que nós pobres da nação estejamos assistidos!

Enquanto isso, tenho tentado realizar minhas atividades intelectuais, mas não tenho conseguido efetivamente. Como fazê-lo quando somos bombardeados por tantos acontecimentos vergonhosos no âmbito da política nacional e por notícias que anunciam mortes diárias? O que mais temos a fazer, agora, é manter a sobriedade, mas tem sido difícil quando nos deparamos com desempregos, violências, mortes cotidianas. Não podemos nos esquecer de que o mal pode ser banalizado com facilidade. As mortes que têm acontecido não podem se tornar acontecimentos corriqueiros que se dão sem que tenhamos pesar pelas inúmeras perdas. 

Nesses dias, tenho pensado muito sobre a vida e sobre a morte. A vida, que me pareceu sempre cansativa, insuportável e trágica, agora, me parece tão tristemente significativa. Eu a quero para mim como nunca a quis. Como se eu percebesse, à beira do precipício somente, que viver é gratificante apesar das implicações que ela traz. Já a morte que tanto me instigava, agora, parece algo mais concreto, de modo que não a suporto perto de mim com seus braços fendidos e seu olhar inquisidor. Não quero a morte dos meus, nem a minha própria, nem do povo brasileiro. Quero esperança de dias melhores, de vida em plenitude. O que é vida em plenitude? Para essa pergunta, cada um pode ter sua própria resposta. Eu, por mim, penso que vida em plenitude é vida que vislumbra o mínimo de dignidade e esperança. E é tudo o que posso dizer sobre a vida.  

Estou cansado. De quê? De ler notícias tristes, de não ver uma luz no final do túnel, de ter que produzir textos e mais textos acadêmicos, de pensar sobre a política do mundo, do Brasil e da minha cidade. Estou cansado de tudo o que o tempo me tem proporcionado. Estou cansado de não dormir, de tentar manter o equilíbrio, de mostrar produção, de realizar mais do que minha alma suporta diariamente. 

Por fim, quero que a vida resista. Que a vida sobreviva, intensa e diversa, com a possibilidade de um mundo novo. Será que eu tenho feito algo a favor desse mundo novo? Será que sou digno da vida e do que ela tem a oferecer? Quanto à morte, estou farto de vê-la por perto - que ela nos dê trégua.

Sabe o que eu mais gostaria para o momento? Eu gostaria de ter em mim o silêncio. Não o silêncio da covardia, dos que aceitam sem resistência mil injustiças, dos que coadunam com o mal do mundo em sua banalidade mais nociva. O silêncio sobre o qual eu falo é o silêncio da alma, do pensamento, do coração, porque tenho falado e gritado e esperneado demais dentro de mim mesmo no auge do medo e da impaciência. Se eu não aprender o silêncio e a força que nasce quando damos espaço a ele, penso que não estarei preparado para o mundo.

Vida, por favor, segure minha mão e vamos à aprendizagem que tanto me queres proporcionar!

Émerson Cardoso
06/07/2020


quinta-feira, 25 de junho de 2020

NOTAS SOBRE O FILME "PACARRETE", DE ALLAN DEBERTON (PREPARE-SE PARA A ARTE NO QUE HÁ DE MAIS SINGELO)



Quando uma obra de arte vai às últimas consequências em sensibilidade e beleza: assim é Pacarrete. Este é o título do filme de estreia do cineasta Allan Deberton que traz Marcélia Cartaxo no papel principal.
A personagem evocada no título do filme, uma artista com diversas facetas (toca piano, desenha e é bailarina), deseja dar de presente à cidade de Russas – CE, sua terra natal que vai completar 200 anos, um presente de aniversário: ela quer realizar uma apresentação de balé no palco principal da festa que a prefeitura promoverá.
A meta da personagem Pacarrete está delineada: ela deseja oferecer ao povo de sua terra o que ela de melhor tem em si: sua arte. Tem início, com isto, uma sôfrega jornada para a personagem, pois o que está em jogo não é somente a ideia de convencer as pessoas da prefeitura, incumbidas de realizarem a festa, a darem espaço para que sua homenagem seja realizada, mas tentar mostrar que sua arte não está ultrapassada. Tendo em vista que ela valoriza a música erudita e o balé clássico, diante de um espaço que acorre a outros valores que diferem daqueles que ela tem a oferecer, conseguir realizar sua meta torna-se um imenso desafio.
Marcélia Cartaxo, uma das maiores atrizes do país, dá vida a Pacarrete com uma atuação singular. Essa personagem tem uma altivez de alma que entra em choque com o prosaísmo do espaço no qual está inserida. Disso resulta um descompasso: sua alma está propensa à sensibilidade, à vivência do que é belo, à criação artística, no entanto ela é tolhida, porque precisa cuidar de uma irmã doente, lidar com a incompreensão das pessoas e com a incomunicabilidade nas relações.
Marcélia Cartaxo mostra em sua atuação essas camadas da personagem com uma maestria que merece todos os elogios. É, sem dúvidas, uma das maiores atuações já vistas no cinema nacional. Ela vai do teor cômico ao mais profundo do drama, com lirismo sempre, sem nunca fugir da complexidade da personagem. Corpo e alma estão entregues à profusão de sentimentos e emoções da frágil e intensa Pacarrete que, para o povo, é uma louca, mas para o espectador é uma alma em conflito: o mundo não comporta sua mente repleta de palavras, ideias e fabulações que só canalizando para a arte a deixariam em paz.
Sem poder realizar-se em sua arte, Pacarrete transita entre dois modos de expressar-se: por vezes, ela é singela, doce e "chique" (para utilizar um termo francês tão ao gosto dela); por vezes, ela é agressiva, desbocada, arrogante e teimosa. Aliás, teimosia é o que melhor a caracteriza – é essa capacidade de teimar que a conduz, obstinadamente, à luta aparentemente vã contra um mundo que parece não comportá-la. Parafraseando uma das personagens, o que ela tem a oferecer ao povo, esse povo, infelizmente, não quer e não gosta. Numa comemoração regada a forró e seus correlatos, seria possível uma apresentação de balé clássico? Pacarrete não suporta o mundo que a rejeita – talvez por isto sua vontade de ir para a França. A França para a qual ela quer ir, em verdade, é fruto da idealização com a qual ela alimenta seu mundo repleto de arte e delicadezas.
Além da imensa Marcélia Cartaxo, contamos com atuações grandiosas nesse filme. A atriz Zezita Matos é Chiquinha (irmã de Pacarrete que depende dela por estar presa a uma cadeira de rodas) e a atriz Soia Lira é Maria (uma mulher muito solícita que trabalha na casa das duas irmãs). Essas duas atrizes dão vida a personagens delicadas, profundas e líricas. Talentosas e comprometidas em realizarem trabalhos de relevo, com a presença delas no filme temos uma tríade feminina que realiza o que há de perfeito e belo numa obra cinematográfica.
Há uma voz masculina no filme, que é o ator João Miguel. Ele interpreta o comerciante Miguel que está presente na vida das três personagens, sobretudo na vida de Pacarrete. Enquanto a cidade a vê como uma louca, ele a vê com atenção e afeto. Sua grandeza de alma o possibilita entrar na fabulação de Pacarrete e isso os aproxima, se não numa relação afetivo-amorosa (que muito a agradaria), numa relação de amizade que se mostra sincera.
Outras atrizes aparecem com atuações que também merecem nota como: Samya de Lavor (excelente no papel de “antagonista” de Pacarrete), Débora Ingrid e Edneia Tutti Quinto. Tudo concorre, nesse filme, para uma atmosfera de criatividade, dedicação e preparo. O sucesso de crítica e os prêmios recebidos comprovam que esse trabalho, de fato, foi feito com excelência. Figurino, fotografia, direção de arte, coreografia e trilha sonora, enfatizo, são irreprocháveis!
A propósito, Allan Deberton, que já havia realizado trabalhos como Doce de coco (2010), O melhor amigo (2013) e Os olhos de Arthur (2016), dentre muitos outros, estreia no cinema de longa-metragem com Pacarrete (2019). Allan Deberton é um diretor, roteirista e produtor inquieto e criativo, com Pacarrete ele mostra o quanto é promissor em sua carreira. Desde a escolha do elenco até o olhar atento para o roteiro, também escrito por Natália Maia, André Araújo e Samuel Brasileiro, esse filme dirigido por ele é realizado com maestria.  
A ansiedade para assistir a esse filme foi compensada, devo dizer, por uma das mais felizes experiências que eu tive como espectador apaixonado por cinema! Ele entra para o rol dos meus preferidos, aliás ele entra para o rol dos maiores filmes do país. Podemos nos orgulhar, como brasileiros que somos, porque apesar dos tempos sombrios que temos vivido, quando a Educação, a Cultura e as Artes têm sido desvalorizadas por visões que dialogam com o autoritarismo, nós encontramos gente produzindo arte em seu sentido mais amplo. Ver Pacarrete foi um alento para a alma! Precisamos de luz no final dos muitos túneis obscuros nos quais temos passeado no Brasil, indigestamente, e o filme Pacarrete, com sua mensagem de amor à vida e à arte, é um sol iluminando a quem tem a oportunidade de vislumbrá-lo. Eu estou feliz, porque estou inebriado com essa luz! Que esse filme premiado e aclamado ilumine, também, o Brasil e o mundo!
Émerson Cardoso
25/06/2020

sábado, 20 de junho de 2020

CARTA ENVIADA PARA MIM PELO SR. ANO DE 2020 (E QUE FOI VAZADA DESCARADAMENTE)


Caro Émerson Cardoso,

Você pensava que 2018, aquele sádico de chicote na mão e olhar de cobra, seria um ano desolador? Pensava que nada poderia ser pior do que ele, que proporcionou aquela eleição fatídica que deu espaço ao mal em sua pior dose de banalidade? Lamento, querido, mas há mais desgraça resguardada a um país sem criticidade do que supõe a nossa vã capacidade de imaginação!

Foi tragicômica a eleição, hein! Ignorância, ilusão, racismo, homofobia, misoginia, despreparo técnico, dentre outros predicativos nada simpáticos, deitaram e rolaram nos palanques do país! Não tem como não rir diante da falta de bom-senso: o Brasil tem vocação para piada, é isso? Ou foi só tendência masoquista momentânea? Não, talvez seja outra coisa: a elite brasileira, inteligente como uma porta, passou à frente, foi isso? E o povo que teve um pouco de melhora de vida achou que já fazia parte da elite também, foi isso? Gente, ri muito agora! Sabe a risada de Paulina, a mexicaníssima vilã d'A Usurpadora? Mas deixa eu me recompor e prosseguir com minha cartinha amorosa. 

Veio sorrateiramente, então, com seus dentinhos de serrote, o ano de 2019, lembra? Aquele sabe tirar onda da cara das pessoas! Antes de prosseguir, queria perguntar uma coisa: você comemorou a chegada dele? Seja sincero. Comemorou? Se a resposta for sim: outra risada de Paulina na sua cara sonsa, querido! Não gosto de falar mal de meus colegas, mas devo dizer que 2019 não vale a bactéria presente na casca da barata que desliza no esgoto que recebe os excrementos do traidor de uma figa do michel temer, aquele infame que vocês, brasileiros ingênuos, viviam dizendo que ficassem de FORA e fazendo alusões ao vampirismo dele. Mal sabiam vocês que michel temer era um anjinho de candura, um coraçãozinho gelado incapaz de ver o sol, sim, golpista, sim, aprovador de PECs demoníacas, sim, mas tão menos maligno que a figura que viria em seguida!

E em 2019 muita coisa aconteceu: a extinção do Ministério da Cultura; o Ministério da Educação foi entregue a um (que adjetivo utilizar?) ordinário-vulgar-estúpido-crápula-sacripanta-salafrário-mor; o tal paulo guedes foi fazer a festa no Ministério da Economia; houve a criação do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que foi entregue às mãos da pastora evangélica (com mestrados atribuídos pela Bíblia e visões nada lunáticas de Jesus na goiabeira) damares alves; dentre outros tantos pontinhos que se eu fosse elencar, menino, seria um romance, não uma carta. Ah! Quase ia me esquecendo: e o demônio do sérgio moro, querido! No Ministério da Justiça, menino, logo ele? Nunca iria para um cargo político, o falsiane! Ah! Traste! Mal o desgoverno o convidou e ele foi correndo fazer parte do conluio de cão - não que ele já não tivesse parte com o diabo, é óbvio! 

Foi aí que, sob festas e louvores, eu cheguei! Cheguei incisivo e ridente, como sempre, porque sou um solzinho para amenizar a neo-idade-das-trevas que vocês amargam em pleno século XXI. Sempre tive tendência a fazer bondades - caridade é meu sobrenome! Estamos em junho e veja o tanto de benesses que eu trouxe para você e seus compatriotas: a casa do indigno está caindo, embora eu sinta que ainda virá coisa dolorida a ser enfrentada por vocês, se não ficarem de olho bem aberto. Querido, não é para me gabar, mas eu ajudei vocês demais: veja que sérgio moro deixou de ser ministro; regina duarte (Secretária Especial de Cultura) deixou de ser secretária em pouco tempo após ter assumido o cargo; queiroz foi finalmente achado; o ministro vulgar-canalha-estúpido-monstruoso-crápula-sacripanta-salafrário-mor da deseducação caiu; a Polícia Federal está no encalço do filhote do indigno que, ao que tudo indica, está mais sujo do que banheiro químico em dia de reveillon. Tudo bem que eu trouxe, assim, uma problemática econômica aqui, uma pandemia ali, mas... Sou ou não sou melhor do que o sádico 2018 e o infame 2019? 

Vou encerrando por aqui a minha epístola amável e cheia de boas novas a serem propagadas sobre os telhados. Beijos de luz, paz e amor para você e seus compatriotas! Cuide-se, porque chumbo grosso só dói quando a gente já não tem mais como reverter o quadro. E, para concluir, o deixarei com essa mensagem de luz: "Grite por São Bento antes que a cobra arranque o tampo de sua perna!" 

Amorosa e queridamente, 

2020
(ANO BISSEXTO, ANO DO RATO, MMXX)
20/06/2020




quinta-feira, 11 de junho de 2020

PARA "A OBSCENA SENHORA D" (PERSONAGEM DE HILDA HILST)


Caríssima Senhora D., 

Queria que alguém dissesse de mim o que disse a seu respeito o Porco-Menino. Ele disse que a Senhora é "um susto que adquiriu compreensão". 

E assim, depois de tudo o que foi dito, sinceramente, fiquei entre confuso e comovido: sua solidão é intensa como a prosa de Hilst é complexa. 

Posso confessar uma coisa? É que me perdi no imenso desejo de alentá-la em sua solidão. 

Somos tão solitários: a senhora em seu vão de escada, vivendo o amor perdido e os fragmentos de memória, e eu sem ter encontrado o melhor de mim e do amor.

Estou entregue, Senhora D., a uma busca irrefreada. Deus em mim é tão silente, embora vivo! Queria olhá-la e não ser recebido com violência ou mal-estar em minha tentativa de aproximação  desejo apenas abraçá-la quando, em verdade, não sei de afetos e de demonstração de força.

Retomarei seu vão de escada logo mais, porque a vida solitária e louca, pulsante em seus gritos, me inundou de identificação e fez-me cair, descuidado, na piscina obscura e melancólica que são nossos olhos em derrelição e medo.

Com amor,
Émerson Cardoso
02/06/2020

quarta-feira, 20 de maio de 2020

ANIVERSÁRIO EM TEMPOS DE PANDEMIA




Sim, comemora-se hoje, neste 20 de maio, o dia do pedagogo. Também se comemora o dia do técnico de enfermagem, o dia mundial das abelhas e o dia nacional do medicamento genérico. 

Este dia é o 140º do ano (se for em ano bissexto, como é o caso, torna-se o dia 141º). 

Neste dia, ao longo dos anos, aconteceram coisas alegres e tristes. 

Em 20 de maio de 1444, por exemplo, morreu São Bernardino de Sena, pregador e místico franciscano. Em 1498, Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para as Índias. Em 1506, morreu o navegador italiano Cristóvão Colombo. Em 1570, foi publicado, por Abraham Ortelius, o primeiro atlas moderno. Em 1799, nasceu o romancista francês Honoré de Balzac. Em 1806, nasceu o filósofo britânico John Stuart Mill. Em 1864, morreu o poeta inglês John Clare. Em 1880, morreu a enfermeira brasileira Ana Nery. Em 1883, Krakatoa, uma ilha vulcânica, entrou em erupção e matou 36.000 pessoas. Em 1891, aconteceu a primeira exibição do cinetoscópio de Thomas Edison. Em 1896, morreu a compositora e pianista alemã Clara Schumann. Em 1899, nasceu a poetisa e antropóloga Lydia Cabrera. Em 1902, tendo como primeiro presidente Tomás Estrada Palma, Cuba se tornou livre dos Estados Unidos. Em 1930, o líder Mahatma Gandhi foi preso em Bombaim, pela polícia política inglesa. Em 1932, Amélia Harhart fez o primeiro voo sem escalas do mundo através do Oceano Atlântico. Em 1934, nasceu Pepe Mujica, político e agricultor urugaio. Em 1937, nasceu a poetisa portuguesa Maria Teresa Horta. Em 1940, os primeiros prisioneiros chegaram a um novo campo de concentração em Auschwitz. Em 1945, nasceu o compositor e cantor brasileiro Renato Teixeira. Em 1946, nasceu a cantora e atriz norte-americana Cher. Em 1957, nasceu a atriz, produtora e diretora brasileira Lucélia Santos. Em 1966, nasceu a cantora portuguesa Dora. Em 1967, nasceu o padre, cantor e escritor brasileiro padre Marcelo Rossi. Em 1972, morreu o compositor brasileiro, grande sambista, Silas de Oliveira. Em 1973, nasceu a cantora francesa Elsa Lunghini. Em 1974, nasceu o músico brasileiro Fernando Anitelli. Em 1980, nasceu o ator brasileiro Cauã Reymond. Em 1983, na Revista Science, o virologista e médico francês Luc Montagnier apresentou as primeiras publicações da descoberta do vírus HIV. 

Em 1984, às 18h, no Hospital São Lucas, em Juazeiro do Norte, eu nasci. De acordo com o endereço eletrônico playback.fm, a canção mais tocada no dia do meu nascimento foi: "Hello", de Lionel Richie. A canção brasileira mais tocada era, provavelmente, "Sonífera Ilha", dos "Titãs". O filme mais visto no Brasil era "A princesa e o robô", animação da "Turma da Mônica", e nos Estados Unidos era "The natural". 

Em 2002, o Timor-Leste tornou-se independente de Portugal. Em 2005, morreu o filósofo Paul Ricouer. Em 2020, depois de passar a madrugada em claro, vi, pela manhã, que as secretarias estaduais de saúde confirmaram que há no país 271.885 casos de infectados com a Covid-19, com 17.983 mortes. O Brasil é o terceiro país no mundo com maior número de casos, perdendo somente para os Estados Unidos e para a Rússia.

Espero que me venham notícias menos tristes ao longo do dia!