quinta-feira, 29 de julho de 2021

CONTO: "A PARTIDA", DE OSMAN LINS

 


Hoje, revendo minhas atitudes quando vim embora, reconheço que mudei bastante. Verifico também que estava aflito e que havia um fundo de mágoa ou desespero em minha impaciência. Eu queria deixar minha casa, minha avó e seus cuidados. Estava farto de chegar a horas certas, de ouvir reclamações; de ser vigiado, contemplado, querido. Sim, também a afeição de minha avó incomodava-me. Era quase palpável, quase como um objeto, uma túnica, um paletó justo que eu não pudesse despir.

Ela vivia a comprar-me remédios, a censurar minha falta de modos, a olhar-me, a repetir conselhos que eu já sabia de cor. Era boa demais, intoleravelmente boa e amorosa e justa.

Na véspera da viagem, enquanto eu a ajudava a arrumar as coisas na maleta, pensava que no dia seguinte estaria livre e imaginava o amplo mundo no qual iria desafogar-me: passeios, domingos sem missa, trabalho em vez de livros, mulheres nas praias, caras novas. Como tudo era fascinante! Que viesse logo. Que as horas corressem e eu me encontrasse imediatamente na posse de todos esses bens que me aguardavam. Que as horas voassem, voassem!

            Percebi que minha avó não me olhava. A princípio, achei inexplicável que ela fizesse isso, pois costumava fitar-me, longamente, com uma ternura que incomodava. Tive raiva do que me parecia um capricho e, como represália, fui para a cama.

Deixei a luz acesa. Sentia não sei que prazer em contar as vigas do teto, em olhar para a lâmpada. Desejava que nenhuma dessas coisas me afetasse e irritava-me por começar a entender que não conseguiria afastar-me delas sem emoção.

Minha avó fechara a maleta e agora se movia, devagar, calada, fiel ao seu hábito de fazer arrumações tardias. A quietude da casa parecia triste e ficava mais nítida com os poucos ruídos aos quais me fixava: manso arrastar de chinelos, cuidadoso abrir e lento fechar de gavetas, o tique-taque do relógio, tilintar de talheres, de xícaras.

Por fim, ela veio ao meu quarto, curvou-se:

— Acordado?

Apanhou o lençol e ia cobrir-me (gostava disto, ainda hoje o faz quando a visito); mas pretextei calor, beijei sua mão enrugada e, antes que ela saísse, dei-lhe as costas.

Não consegui dormir. Continuava preso a outros rumores. E quando estes se esvaíam, indistintas imagens me acossavam. Edifícios imensos, opressivos, barulho de trens, luzes, tudo a afligir-me, persistente, desagradável — imagens de febre.

Sentei-me na cama, as têmporas batendo, o coração inchado, retendo uma alegria dolorosa, que mais parecia um anúncio de morte. As horas passavam, cantavam grilos, minha avó tossia e voltava-se no leito, as molas duras rangiam ao peso de seu corpo. A tosse passou, emudeceram as molas; ficaram só os grilos e os relógios. Deitei-me.

Passava de meia-noite quando a velha cama gemeu: minha avó levantava-se. Abriu de leve a porta de seu quarto, sempre de leve entrou no meu, veio chegando e ficou de pé junto a mim. “Com que finalidade?”, perguntava eu. “Cobrir-me ainda? Repetir-me conselhos?” Ouvi-a então soluçar e quase fui sacudido por um acesso de raiva. “Ela estava olhando para mim e chorando como se eu fosse um cadáver”, pensei. Mas eu não me parecia em nada com um morto, senão no estar deitado. Estava vivo, bem vivo, não ia morrer. Sentia-me a ponto de gritar. Que me deixasse em paz e fosse chorar longe, na sala, na cozinha, no quintal, mas longe de mim. Eu não estava morto.

Afinal, ela beijou-me a fronte e se afastou, abafando os soluços. Eu crispei as mãos nas grades de ferro da cama, sobre as quais apoiei a testa ardente. E adormeci.

Acordei pela madrugada. A princípio com tranquilidade, e logo, com obstinação, quis novamente dormir. Inútil, o sono esgotara-se. Com precaução, acendi um fósforo: passava das três. Restavam-me, portanto, menos de duas horas, pois o trem chegaria às cinco. Veio-me então o desejo de não passar nem uma hora mais naquela casa. Partir, sem dizer nada, deixar quanto antes minhas cadeias de disciplina e de amor.

Com receio de fazer barulho, dirigi-me à cozinha, lavei o rosto, os dentes, penteei-me e, voltando ao meu quarto, vesti-me. Calcei os sapatos, sentei-me um instante à beira da cama. Minha avó continuava dormindo. Deveria fugir ou falar com ela? Ora, algumas palavras… Que me custava acordá-la, dizer-lhe adeus?

Ela estava encolhida, pequenina, envolta numa coberta escura. Toquei-lhe no ombro, ela se moveu, descobriu-se. Quis levantar-se e eu procurei detê-la. Não era preciso, eu tomaria um café na estação. Esquecera de falar com um colega e, se fosse esperar, talvez não houvesse mais tempo. Ainda assim, levantou-se. Ralhava comigo por não tê-la despertado antes, acusava-se de ter dormido muito. Tentava sorrir.

Não sei por que motivo, retardei ainda a partida. Andei pela casa, cabisbaixo, à procura de objetos imaginários enquanto ela me seguia, abrigada em sua coberta. Eu sabia que desejava beijar-me, prender-se a mim, e à simples ideia desses gestos, estremeci. Como seria se, na hora do adeus, ela chorasse?

Enfim, beijei sua mão, bati-lhe de leve na cabeça. Creio mesmo que lhe surpreendi um gesto de aproximação, decerto na esperança de um abraço final. Esquivei-me, apanhei a maleta e, ao fazê-lo, lancei um rápido olhar para a mesa (cuidadosamente posta para dois, com a humilde louça dos grandes dias e a velha toalha branca, bordada, que só se usava em nossos aniversários).

(Osman Lins)[1]



[1] LINS, Osman. A partida. In: Os gestos. 3. ed. São Paulo: Moderna, 1994.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

MEU LIVRO DE CONTOS: "O BAILE DAS ASSIMETRIAS"

 



A astrologia leva uma pessoa a considerar a disposição do sol como algo que repercute na construção de sua personalidade. Para isto, leva-se em consideração, ainda, o modo como as constelações, determinadas por princípios arbitrários, estão dispostas. A data e o horário de nascimento dessa pessoa são determinantes, por esse viés, para a configuração de seu perfil psicológico.

 

Carl Sagan (1934–1996), astrônomo e astrofísico norte-americano, ao referir-se à astrologia na série televisiva Cosmos – uma viagem pessoal, de 1980, pensa que essa crença é facilmente refutável. Para Sagan, no entanto, “a astrologia sobreviveu e floresceu”. Isto aconteceu porque, para ele, a astrologia “parece conferir à nossa vida rotineira um sentido cósmico, fingindo satisfazer nosso desejo de nos sentirmos irmanados com o Universo”.

 

A ideia de estarmos “irmanados com o Universo” tem seu lirismo, claro! O problema da astrologia é que, por vezes, ela pode induzir uma pessoa a uma visão um tanto fatalista. Se tudo está determinado pelos astros, e suas posições na hora em que alguém nasce, então seria inviável tentar alterar a influência dos astros na vida desse alguém. Se os astros determinam os reveses da existência e o comportamento de um ser, predeterminando suas falhas e qualidades, suas dores e alegrias, então a esse ser é dada pouca possibilidade de alterar o destino das coisas. Há outros pontos que eu poderia levantar, mas não quero me estender. Neste caso, devo dizer que não considero a astrologia como ciência, mas eu a aprecio como algo fascinante pela atmosfera poética que ela concentra.

  

Quanto aos contos que constituem este livro, eu recorri à astrologia, sim, para escrevê-los. A ideia é entender os traços de cada signo e associá-los a uma das personagens protagonistas das narrativas que apresento. Para isso, eu li um pouco sobre o assunto e confesso que foi um bom exercício. A ficção tende a alimentar-se de temas colhidos no cotidiano – e nada mais presente nele do que essa pseudociência-lírica-e-assaz-divertida. Eis o desafio para quem lê O baile das assimetrias: localizar, no perfil de suas personagens, em que aspecto elas detêm os predicativos dos signos do zodíaco.

 

Quanto ao título, foi o que menos gostei de fazer no processo de criação e publicação desse livro. Encontrá-lo foi uma imensa dificuldade. Pedi a opinião de amigas e amigos para chegar ao título que consta na capa, porém ainda não o considero bom.

 

A narrativa que corresponde a Áries, escrita e reescrita à exaustão, como as demais, foi a primeira que criei para O baile das assimetrias. Trata-se do conto As aventuras de Tony Torloni cujo tema (embora com certo exagero que caracteriza o tom humorístico que procurei apresentar) já estava definido desde o início de sua escrita. Assim, ele concentra, dentre outros pontos, temas como: 1) homoafetividade, 2) amizade e seus desencontros, 3) conflitos familiares, 4) ingenuidade que leva ao sofrimento e 5) ausência de pessoas e ambientes que conduzem as personagens à solidão. Esses temas, invariavelmente, são retomados nos demais contos. A homoafetividade e a solidão, devo dizer, são os mais recorrentes.

 

Por fim, espero que minhas narrativas sejam lidas e, de algum modo, sejam apreciadas. Escrever é um desafio. Ser lido é um desafio maior. Espero que alguém leia meu livro de contos sobre signos do zodíaco e encontre algum valor literário nele – isto seria algo reconfortante.

   

Émerson Cardoso


sexta-feira, 18 de junho de 2021

CRÔNICA INCOMPLETA: "PERDAS"


18/06/2021

Neste mês de junho de 2021, o Brasil divulgou um número macabro: 500 mil pessoas morreram em decorrência da COVID-19. Em nosso país não foi somente a COVID-19 em si que causou transtornos e destruiu vidas. O mau gerenciamento da pandemia tem muito a ver com essas mortes. 

Famílias em todas as regiões do Brasil perderam entes queridos. Pessoas poderiam ter recebido vacinação antes, mas não houve preocupação por parte de autoridades competentes. 

Dentre as 500 mil pessoas mortas está uma pessoa cuja relevância em minha vida não posso mensurar. Ela se foi em 13 de junho de 2021. Escrever ainda é difícil para mim.

Esta é a terceira vez que tento escrever. Ainda não consigo organizar as ideias. Há muito a digerir. 

No livro "Sobre a morte e o morrer" (1969), de Elisabeth Kübler-Ross, ela aponta os seguintes estágios constitutivos do luto: 1) negação, 2) raiva, 3) negociação, 4) depressão e 5) aceitação. Não sei em qual estágio estou. 

Eu não sei. 

03/08/2021

Ainda não sei em que estágio do luto me encontro: a vida é tão simples e tão séria. No assoprar de um vento frio de junho pode correr uma notícia: aquela amiga a quem tanto você estimava se foi! O tempo da notícia chegar ao ouvido e descer ao grito que se cala: junho já riu de mim tantas vezes no passado!

13 de junho é dia de Santo Antônio. No dia 13 de junho de 2016, Luzia se foi. No dia 13 de junho de 2021, Tereza, irmã de Luzia, se foi. Tantas pessoas se foram no dia em que Santo Antônio é festejado pela Igreja Católica desde que o mundo é mundo. Luzia e Tereza, porém, eram irmãs, eram inseperáveis, eram religiosas, eram bondosas, viveram para o trabalho, eram moças dedicadas, não casaram, não tinham tino para coisas do mundo, não sabiam existirem sem Deus. 

Acho que comecei a escrever sobre minha perda. Preciso parar agora, porque minha boca ficou amarga, o olho marejou desértico, a angústia me atravessou o peito. 

Quando eu concluir o texto, que é sangue em ferida profunda, aí terei um pouco do que quero expressar e poderei fazer uma melhor organização. 

Ainda não sei o meu estágio do luto. 





segunda-feira, 14 de junho de 2021

SOBRE VACINA, DOCÊNCIA E O DIREITO A LUTAR PELA VIDA


Professores e Professoras para receberem vacina, no Ceará, foram obrigados (as) pelo governo estadual a assinarem um documento comprometendo-se a retornarem às atividades profissionais no segundo semestre do corrente ano. Eu fiz texto criticando esse assédio moral, me angustiei demais com essa imposição, tentei de todas as formas me articular para refletir criticamente sobre isso. 

Minha primeira inclinação foi a de não receber a dose da vacina. Conversei com colegas de trabalho cujas visões eram próximas à minha e comecei um itinerário de busca, porque não fazia sentido, para mim, a ideia de que eu precisaria de assinatura para receber algo que me é de direito. 

O sindicato 'apeoc' (para quem teço críticas severas em decorrência de determinadas posturas adotadas), sugeriu que nos negássemos a assinar, expediu um mandado de segurança e incitou à denúncia da obrigatoriedade da assinatura. Instituições, como a OAB, se posicionaram contra o documento. O momento que deveria ser de comemoração, para nós, tornou-se um pesadelo. 

Diante desse contexto angustiante, estávamos divididos entre: 1) garantir a possibilidade de sobreviver a essa doença por meio da vacina tão esperada ou 2) deixar de recebê-la como forma de reivindicação e manutenção do brio. 

Enquanto a 'apeoc' fiscalizava escolas na capital, fazia vídeos incitando à não assinatura, era-nos exigido por parte do sistema de agendamento (condição sine qua non para recebermos a primeira dose da vacina) que fizéssemos o cadastro e escolhéssemos a data e o local de nosso atendimento. Vi muitas manifestações nas redes sociais (eu também me manifestei textualmente), diversos discursos contrários a essa absurda imposição, o que me deu a certeza de estar do lado coerente do debate. Eu não vi, porém, nenhuma diretriz objetiva que reunisse Professoras e Professores numa massa crítico-reflexiva com união e, consequentemente, força suficiente para reivindicar, manifestar contrariedade e agir contra o que para muitos de nós era algo patético e humilhante.    

Eu me questionei arduamente sobre o que fazer. Fiquei angustiado em relação à maneira como deveria agir. O que mais me veio à mente foi: como abrir mão da vacina em contexto tão adverso? É possível manter o brio quando já morreram quase 500 mil pessoas no país? Eu expus minha angústia a três amigas e cada uma delas me deu respostas as mais coerentes para minhas perguntas. Resumirei o que apreendi do discurso delas: é mais importante tomar vacina, e com isso garantir uma possibilidade de sobrevivência, apesar do assédio, ou negar-se a fazê-lo como forma de protesto? 

Creio que o brio só poderia ser vivenciado nesse caso se tivéssemos uma categoria profissional realmente crítica e unida, mas não é o caso. Não posso generalizar, claro, porém se há uma realidade perceptível na Educação é o fato de que há uma grande dificuldade de unificação do diálogo quando o assunto é motivar profissionais dessa área à realização de algum ato de protesto. Consciência de classe e capacidade de manter a unidade não são, infelizmente, caracteres fortes da maioria desses profissionais. É uma assertiva polêmica, sei disso, todavia não a poderei esconder. O máximo que posso fazer, para amenizar minha afirmação, é tentar não ser generalizante, pois ainda temos uma quantidade significativa de profissionais dispostos a agir contrariamente a discursos opressores. 

Há muito mais do que imaginamos em torno desse debate. Existem mil especificidades que motivaram alguns profissionais a aceitarem a vacina tão esperada e tão necessária. Garantir a vacina é uma tentativa de luta pela própria saúde e pela saúde dos familiares. Em meio a uma pandemia mal gerenciada, em contexto assustador, exigir que alguém não lute pela vida é um olhar no mínimo insensível e restritivo.   

Fiz essa ressalva porque um Professor teceu críticas aos Professores e Professoras por terem assinado o documento para tomarem a vacina. Conforme aponto acima, será que nos cabe críticar sem a observação de aspectos pontuais? É possível criticar sem analisar contextos?

A propósito, foi sugerido por um advogado, diante do irremediável da assinatura, que produzíssemos um texto a ser anexado ao documento. O texto é o seguinte: "Declaro que estou assinando este documento sob coação. Manifesto que irei acionar o Estado/Município em juízo por qualquer problema de saúde que minha família e eu tenhamos em virtude da presente pandemia". Muitos de nós fizemos isso (eu fiz um texto menor, mas fiz). Do meu ponto de vista, esse texto deve ser considerado, sim, um ato de protesto. Por que não seria? 

Uma Professora também teceu críticas aos (às) colegas e assinalou estar disposta a tomar vacina somente quando fosse chamada a fazê-lo pela faixa etária. Por essa lógica, ela seria vacinada nas próximas semanas e eu nos próximos meses. Qual de nós está em posição mais cômoda? 

Depois de um conflito intenso e adoecedor, eu decidi me vacinar. 

Quando cheguei ao local, não me pediram outro item além do tal documento. Eles queriam com veemência olhar minha letra. 

Quando me exigiram o documento, eu questionei. Disse que o sindicato me orientava a não assinar documento algum. A funcionária me disse que concordava com minha postura, que se solidarizava, mas o documento era uma exigência. Eu disse que entregaria o documento, mas iria denunciar e tornar pública a denúncia. Disse a ela, também, que no meu documento havia um adendo: era um texto em manuscrito dizendo que eu fui coagido a assiná-lo. Acrescentei outros itens incisivos ao meu discurso. A funcionária, no entanto, não era quem merecia ouvir minha indignação, sobretudo porque ela fez questão de dizer o quanto estava solidária e foi o tempo todo educada comigo.

Uma andorinha só não faz verão. Este ditado é perfeito quando nos remetemos à realidade da Educação brasileira. Como sequer tivemos pulso firme do sindicato contra essa aberração, eu decidi que o valor da vida deveria falar mais alto. Recebi a vacina, mas não sem reivindicar, não sem me posicionar, não sem me angustiar e sem pensar em algo doloroso: um dia para comemorar tornou-se, para mim, um pesadelo. 

Estou vacinado, porque a necessidade de sobreviver a essa pandemia, quando muitas pessoas próximas faleceram, me gritou mais alto. Respeito quem teve outra postura. Admiro, devo confessar, a coragem de quem agiu diferente de mim. Eu, todavia, não pude agir da mesma forma, pois estava em jogo uma tentativa de sobrevivência. Fiz o que considerei correto e necessário para mim - o resto é cansaço.

Depois, quando foi possível enviar meu Termo de Declaração e Denúncia de Coação, em site da 'apeoc', não hesitei em fazê-lo. Motivei alguns amigos e amigas a fazerem o mesmo. No documento, exigiam duas testemunhas (pasme!). Duas amigas estiveram comigo na mesma data e local de vacinação e disponibilizaram seus dados para confirmar que fui coagido. 

Quero dizer, neste texto, o quanto fiquei frustrado por não ter podido comemorar ao receber uma dose da vacina que poderia me dar possibilidades de lutar pela vida. Não foi possível, porque me foi tirado esse direito de comemoração. Quero enfatizar, ainda, o seguinte: o meu ataque, nessa batalha intensa, não será contra profissionais da minha área, mas contra o governo estadual (responsável pela obrigatoriedade da assinatura) e demais poderes cujos objetivos são, dentre outros, destruir a Educação e massacrar Professores e Professoras com as mais humilhantes formas de desvalorização e de desrespeito. 

No mais, enquanto estiver vivo, buscarei força no braço para avançar contra facínoras (me vacinar foi, também, um ato de resistência contra um poder que não me quer vivo). O resto, vou gritar, é cansaço! 

Émerson Cardoso

15/06/2021 

sexta-feira, 28 de maio de 2021

ENSAIO ACADÊMICO


Para Sacconi Júnior (2007, p. 259), o Ensaio pode ser definido da seguinte forma: "Produção Literária breve e em prosa, sobre uma determinada matéria ou tema, geralmente analítica, especulativa ou interpretativa, que apresenta o ponto de vista do autor, sem a preocupação de profundidade". 

Pedro Luft (2000, p. 278) diz que o Ensaio consiste em uma: "Rápida apresentação escrita de um assunto, sem grande desenvolvimento".  

TÍTULO (deve apresentar o título do Ensaio centralizado e com maiúsculas)

RESUMO (pode ser realizado dependendo da finalidade ou exigências, mas obedece à estrutura convencional: a) Apresentação do tema a ser abordado, b) Justificativa, c) Menção aos Objetivos, d) Metodologia empregada para realização do trabalho)

INTRODUÇÃO:

1 - Apresentação do tema que deve ser abordado; 
2 - Apresentação de uma TESE (afirmação ou proposição sobre o que você pretender discutir);
3 - Retomar de modo sucinto: a) Apresentação, b) Justificativa, c) Objetivos e d) Metodologia. 

DESENVOLVIMENTO:
1 - Contextualizar / Apontar uma problemática / Apresentar um caso a ser discutido; 
2 - Comprovar a TESE por meio de argumentos com suporte de estudos teórico-críticos;
3 - Se analisar alguma obra, ou mesmo se estiver em discussão sobre um estudo teórico-crítico, apontar trechos; 
4 - Apresentar o posicionamento a respeito do tema abordado.  

CONCLUSÃO:
1 - Apontar, de forma sintética, a que resultados o texto chegou;
2 - Mencionar se os objetivos foram alcançados.

REFERÊNCIAS:
1 - Em ordem alfabética;
2 - Seguir ABNT. 

 

REFERÊNCIAS

CAMPOS, Magna. O gênero textual ensaio acadêmico: suas especificidades e regularidades. 2014. Disponível em: https://trilhante.com.br/trilha/fdrp/sobre/ensaio-academico. Acesso em: 05 jun. 2021. 

LUFT, Celso Pedro. Minidicionário Luft. São Paulo: Ática, 2000.

KÖCHE, Vanilda Salton. Prática textual: atividades de leitura e escrita. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

SACCONI, Luiz Antonio. Minidicionário Sacconi Júnior da Língua Portuguesa. São Paulo: Escala Educacional, 2007. 

quinta-feira, 20 de maio de 2021

ANIVERSÁRIO EM TEMPOS DE PANDEMIA



Sim, comemora-se hoje, neste 20 de maio, o dia do pedagogo. Também se comemora o dia do técnico de enfermagem, o dia mundial das abelhas e o dia nacional do medicamento genérico. 

Este dia é o 140º do ano (se for em ano bissexto, mas não é o caso, torna-se o dia 141º). 

Neste dia, ao longo dos anos, aconteceram coisas alegres e tristes. 

Em 20 de maio de 1444, por exemplo, morreu São Bernardino de Sena, pregador e místico franciscano. Em 1498, Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para as Índias. Em 1506, morreu o navegador italiano Cristóvão Colombo. Em 1570, foi publicado, por Abraham Ortelius, o primeiro atlas moderno. Em 1799, nasceu o romancista francês Honoré de Balzac. Em 1806, nasceu o filósofo britânico John Stuart Mill. Em 1864, morreu o poeta inglês John Clare. Em 1880, morreu a enfermeira brasileira Ana Nery. Em 1883, Krakatoa, uma ilha vulcânica, entrou em erupção e matou 36.000 pessoas. Em 1891, aconteceu a primeira exibição do cinetoscópio de Thomas Edison. Em 1896, morreu a compositora e pianista alemã Clara Schumann. Em 1899, nasceu a poetisa e antropóloga Lydia Cabrera. Em 1902, tendo como primeiro presidente Tomás Estrada Palma, Cuba se tornou livre dos Estados Unidos. Em 1930, o líder Mahatma Gandhi foi preso em Bombaim, pela polícia política inglesa. Em 1932, Amélia Harhart fez o primeiro voo sem escalas do mundo através do Oceano Atlântico. Em 1934, nasceu Pepe Mujica, político e agricultor urugaio. Em 1937, nasceu a poetisa portuguesa Maria Teresa Horta. Em 1940, os primeiros prisioneiros chegaram a um novo campo de concentração em Auschwitz. Em 1945, nasceu o compositor e cantor brasileiro Renato Teixeira. Em 1946, nasceu a cantora e atriz norte-americana Cher. Em 1957, nasceu a atriz, produtora e diretora brasileira Lucélia Santos. Em 1966, nasceu a cantora portuguesa Dora. Em 1967, nasceu o padre, cantor e escritor brasileiro padre Marcelo Rossi. Em 1972, morreu o compositor brasileiro, grande sambista, Silas de Oliveira. Em 1973, nasceu a cantora francesa Elsa Lunghini. Em 1974, nasceu o músico brasileiro Fernando Anitelli. Em 1980, nasceu o ator brasileiro Cauã Reymond. Em 1983, na Revista Science, o virologista e médico francês Luc Montagnier apresentou as primeiras publicações da descoberta do vírus HIV. 

Em 1984, às 18h, no Hospital São Lucas, em Juazeiro do Norte, eu nasci. De acordo com o endereço eletrônico playback.fm, a canção mais tocada no dia do meu nascimento foi: "Hello", de Lionel Richie. A canção brasileira mais tocada era, provavelmente, "Sonífera Ilha", dos "Titãs". O filme mais visto no Brasil era "A princesa e o robô", animação da "Turma da Mônica", e nos Estados Unidos era "The natural". 

Em 2002, o Timor-Leste tornou-se independente de Portugal. Em 2005, morreu o filósofo Paul Ricouer. Em 2021, depois de passar a madrugada em claro e ter que ministrar aulas em três turnos, vi que as secretarias estaduais de saúde confirmaram que há no país 15.812.055 casos de infectados com a Covid-19, com 441.691 mortes. O Brasil é o terceiro país no mundo com maior número de casos e o segundo com maior número de mortes. Enquanto isso, tem acontecido a CPI da Covid, a Terra Yanomami sofre tentativa de invasão e eu estou com a mente cansada. 

Espero que me venham notícias menos tristes nos próximos dias!

domingo, 2 de maio de 2021

BOBAGENS DE BOBAGENS, TUDO É BOBAGEM!



Tenho pensado tanto em minha tendência à escrita. Professor eu sei que sou. Pesquisador também. Escritor, no entanto, não sei. Escrever por liberdade é mais tranquilo, porque o termo "escritor" atribui peso incalculável a quem escreve. Até queria ser um escritor, um grande escritor, mas... Escrever por si só é o meu objetivo sem qualquer necessidade de definição. 

O que me impele à escrita é força que não defino. Talvez o vazio que sempre resguardo, ou mesmo o medo que me impele ao silêncio. Acontece que escrever é urgência que não contenho. Há sempre palavra ou frase gritando em mim. 

Agora, quando o mundo perde tantas almas em decorrência da pandemia, o que me sustém é a escrita, com sua força de me salvar por dar espaço à expurgação. 

Há tantos gritos que preciso transformar em texto. Há tanta raiva que melhor procede na produção de um parágrafo. Há tanto horror diante da vida que não me destrói porque a escrita exerce sobre mim alguma luz. 

Agora, quando o mundo parece sem grandes possibilidades de transformação feliz, eu me dispo de meus arroubos e atiro letras para que a vida tenha algum sentido. Não, não sei de mim o que fazer. Tenho incertezas que arrancam minha pele e expõem meus ossos. Tenho caído tanto pelas estradas petrificadas da existência. 

Escrever ainda me vale! 

Émerson Cardoso

02/05/2021